Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

O'Neill nega possuir documentos secretos do Tesouro

Terça, 13 de Janeiro de 2004 às 10:57, por: CdB

O ex-secretário do Tesouro americano Paul O'Neill, pressionado por ter criticado a liderança do presidente George W. Bush, negou nesta segunda-feira haver pegado documentos secretos do Tesouro.

Ontem, horas depois de O'Neill criticar o presidente durante uma entrevista à rede de TV CBS, o Departamento do Tesouro afirmou que seu inspetor-geral estava investigando como um documento considerado "secreto" estava sendo mostrado durante a entrevista.

Em entrevista ao programa "Today", da rede de TV NBC, O'Neill afirmou que os documentos foram dados a ele por um advogado do Tesouro, depois que ele solicitou o material para ajudar o ex-repórter do jornal The Wall Street Journal Ron Suskind a escrever um livro sobre o período em que O'Neill trabalhou no governo.

- Eu disse a ele [advogado do Tesouro] que gostaria de ter os documentos que poderia ter. Depois de aproximadamente três semanas, o advogado do Tesouro enviou alguns CDs, que eu francamente nunca abri - afirmou O'Neill. Pressionado, O'Neill pediu demissão um ano atrás durante mudanças na equipe econômica de Bush.

Documentos

Primeiro membro do alto escalão do governo a criticar Bush, O'Neill afirmou que entregou o CD com os documentos a Suskind.

- Eu honestamente não acho que haja nada de secreto naquelas 19 mil páginas - declarou O'Neill, acrescentando que apenas a capa mostrada na TV estampava a palavra "secreto".

Mas O'Neill disse que não se sentia surpreso que o Tesouro estava investigando como ele conseguiu os documentos. "Se eu fosse o secretário do Tesouro, eu faria a mesma coisa", declarou.

Ele descreveu a reação ao livro Suskind como um "frenesi" e disse que as pessoas deveriam ler seus comentários dentro de um contexto, particularmente sobre a guerra no Iraque.

- Pessoas estão tentando dizer que eu falei que o presidente estava planejando uma guerra no Iraque no início do governo. Na verdade, ocorreu uma continuidade do trabalho que havia no governo de [Bill] Clinton com a idéia de que precisava haver uma mudança de regime no Iraque - disse. 

O que o surpreendeu, disse O'Neill, foi o grau de prioridade que Bush deu ao Iraque.

Iraque

Questionado sobre rumores de que ele não acreditava que o Iraque tivesse armas de destruição em massa, a principal justificativa para a guerra, O'Neill afirmou que nunca viu "provas concretas" da existência desse tipo de armas.

Sobre seu comentário de que, durante reuniões de governo, Bush era como "um cego em uma sala cheia de surdos", O'Neill afirmou que se arrependeu de algumas palavras usadas para descrever seu antigo chefe.

Pressionado a dizer se votaria em Bush na eleição presidencial de novembro, O'Neill disse que "provavelmente sim", mas afirmou que o povo americano precisava exigir mais de seus líderes.

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