Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Onde os vilões não têm vez[1]

Terça, 07 de Junho de 2011 às 07:26, por: CdB

Por Ruivan Gomes 07/06/2011 às 13:07

O que o cinema blockbuster americano tem incentivado

Todo mundo se espanta quando acontece algum caso de ?julgamento precipitado? por parte dos Estados Unidos, como foi o caso de Saddam Hussein em 30 de dezembro de 2006 e de Osama Bin Laden no dia 1 de maio de 2011.

Mas o que ninguém pára pra imaginar é que isso é jogado todos os dias no cinema blockbuster[2] americano.

Isso mesmo! Me diga um filme sequer em que o vilão não é morto no final pelo mocinho, ou em situação que não seria inevitável sua morte? E qual dessas mortes foi digna?

Isso se tornou tão profundo na mentalidade cinematográfica das pessoas (principalmente por aqui), que se essa regra não for seguida o filme é considerado fraco pela maioria dos espectadores.

Mocinhos ficam felizes no felizes e juntos no final. Vilões morrem no final.

Para meus amigos tudo, para meus inimigos nem a lei.[3]

Mas existe uma nova característica: Os mocinhos podem até ter defeitos, mas suas virtudes são superiores a eles. É o caso freqüente do aumento de anti-heróis[4] que fazem sucesso no cinema americano: Wolverine(X-men), John Constantine(Constantine), Jack Sparrow(Piratas no Caribe) dentre outros.

No entanto, os vilões não tem nenhuma qualidade; nada que os redima. Nenhum contexto que os justifique.

É como se fosse uma predestinação[5] em que uns nascem para serem mocinhos, outros para serem vilões.

Com um aparato ideológico desses não é de se espantar que o Justiceiro[6] Estados Unidos consiga colocar em prática sua vingança contra seus arquiinimigos.

[1] O título faz alusão ao filme ?Onde os fracos não têm vez?
[2] Gênero de filme de grande sucesso. A tradução (arrasa-quarteirão) se refere a um tipo de bomba utilizado na segunda guerra mundial.
[3] O correto é ?Para meus amigos tudo, para meus inimigos a lei.?
[4] Não possuem vocação heróica ou que realizam a justiça por motivos egoístas, pessoais, vingança, por vaidade, por matar ou por quaisquer gêneros que não sejam altruístas, ou seja, é o antônimo da idéia que se tem de herói.
[5] Algo inevitável.
[6] O Justiceiro aqui se refere a aquele famoso personagem da Marvel que tem o perfil de anti-herói e que se vinga do crime devido a um trauma pela morte de sua família.

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