Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Onda de violência destrói mais 110 casas no Timor Leste

Sexta, 10 de Agosto de 2007 às 14:54, por: CdB

Pelo menos 110 casas foram destruídas entre a manhã de quinta-feira e a manhã desta sexta-feira (horário brasileiro) nos distritos de Viqueque e Baucau, na parte oriental de Timor Leste, na seqüência dos incidentes violentos iniciados esta semana na capital Díli, disse hoje à Agência Lusa a porta-voz da polícia da ONU (Unpol), Kedma Mascarenhas. Ela acrescentou que diversas pessoas (número ainda não determinado) abandonaram suas casas e se refugiaram nas montanhas.

— A situação está agora calma em Baucau e Díli. No caso da capital, não há registro de incidentes desde quinta-feira de manhã (hora local) —, precisou.

Embora tenha sido confirmado o dano a 110 casas, a Unpol dispõe de informações que apontam para a destruição, parcial ou total, de 142 casas, e para o bloqueio de estradas.

Além das mais de 50 detenções efetuadas quarta-feira em Baucau, a polícia da ONU registrou hoje a prisão de mais quatro indivíduos. Em Díli, foram presas 17 pessoas, por apedrejamento de carros civis e das Nações Unidas e por confrontos entre grupos de jovens rivais, sobretudo à noite.

Sobre as pessoas que abandonaram suas casas, Kedma Mascarenhas disse à Lusa que "por enquanto não há um número", mas adiantou que representantes das agências da ONU viajarão amanhã de avião para Baucau, "para fazer uma avaliação da situação e contabilizar o número real de refugiados".

Os incidentes em Timor Leste estão relacionados com o impasse sobre a designação do primeiro-ministro. A Fretilin, partido que venceu as eleições legislativas de 30 de junho mas sem obter maioria absoluta, rejeitou e denunciou a escolha de Xanana Gusmão como "golpe de Estado constitucional". Escolhido pelo presidente José Ramos Horta, Xanana tomou posse quarta-feira.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apelou pela protecção das escolas, algumas das quais foram vandalizadas ou destruídas nesta mais recente onda de violência em Timor Leste. Em comunicado enviado à Lusa, a Unicef diz temer que a violência ameace o ano escolar, que começou formalmente no último dia 6.

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