As ações das maiores companhias do mundo cairam, nesta quinta-feira, após a decisão de o banco francês BNP Paribas congelar cerca de US$ 2 bilhões em fundos. Este é o caso mais recente de um banco ser atingido por problemas de crédito imobiliário. A escassez de dinheiro nos mercados levou o Banco Central Europeu (BCE) a intervir para garantir liquidez. Os problemas no mercado de crédito imobiliário de risco (subprime) nos Estados Unidos e a queda na liquidez o impediam de calcular o valor dos ativos.
A notícia renovou o temor nos mercados globais, preocupados com a possibilidade de que os problemas no mercado de crédito imobiliário norte-americano se espalhassem pelo mundo, atingindo os bancos e o sistema financeiro de maneira generalizada. Os investidores correram para adquirir títulos seguros e ienes, uma moeda de baixo rendimento, a fim de preservar seu capital. Durante a manhã desta quinta-feira, o BCE injetou US$ 94,8 bilhões na zona do euro, para aliviar a tensão provocada pelo setor de crédito.
Logo após a oferta, as taxas de empréstimo overnight cederam para cerca de 4,10%, pouco acima da meta de 4,0% determinada pelo BCE, mas bem abaixo dos 4,62% registrados na abertura dos mercados. No início da manhã (horário local), as taxas saltaram para o maior nível desde outubro de 2001, pelo receio do mercado de que os problemas no setor hipotecário de alto risco dos EUA estejam atingindo bancos europeus.
– Parece haver uma corrida por dinheiro líquido, nos mercados de dólares e euros. Como a liquidez está começando a cair no mercado e os financiamentos também estão se tornando mais difíceis, ao que parece os investidores que têm necessidade de financiar posições de títulos não estão conseguindo empregar linhas de crédito, e em lugar disso têm de recorrer ao mercado monetário. Isso está causando elevação nas taxas – disse a jornalistas internacionais Nick Parsons, diretor de estratégia de mercado na nabCapital.
Segundo Charles Diebel, diretor de estratégia da Nomura International para o mercado europeu, ninguém sabe de fato as dimensões dos problemas atuais de crédito, e quem tem ou não exposição de crédito significativa.
– Isso vem causando queda de confiança no sistema como um todo. O problema que temos é que, caso os custos de financiamento disparem, isso vai gerar uma série de questões para as contas alavancadas e pode forçar uma cristalização de prejuízos – afirmou.
Nas últimas semanas, o mercado financeiro mundial foi abalado por mudanças de avaliação de risco e volatilidade nos mercados de crédito. Isso pode prejudicar os lucros das empresas e as atividades de fusão, forçar os consumidores a reduzir gastos e prejudicar uma economia mundial que, em outras áreas, continua robusta. O principal índice mundial de ações MSCI caía 1,13%, enquanto o indicador do mercado acionário europeu FTSEurofirst 300 recuava 1,77 por cento, depois de ter atingido o maior patamar em duas semanas na quarta-feira.
No Brasil, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo registrava queda de 1,95% no início da tarde.