A polícia de Paris entrou em alerta elevado na sexta-feira, início de um feriado prolongado onde poderá se avaliar a tendência de diminuição nos distúrbios iniciados há duas semanas por jovens de subúrbios pobres.
Os tumultos, os piores no país em quatro décadas, diminuíram desde que o governo adotou medidas de emergência, inclusive o toque de recolher, na terça-feira. Mas na madrugada de sexta-feira houve um novo aumento no número de incidentes em bairros ao redor da capital.
A polícia disse que 463 veículos foram incendiados em toda a França, uma ligeira diminuição em relação à noite anterior. Mas, na região metropolitana de Paris, o número de carros depredados subiu de 84 para 111.
- Isso confirma a tendência geral de baixa, com alguma resistência na região de Paris, disse o chefe da polícia nacional, Michel Gaudin. - Neste fim-de-semana vamos exercer uma vigilância extra na região de Paris, afirmou.
O auge dos distúrbios aconteceu na noite de domingo. A polícia espera que a situação continue se acalmando durante o feriado prolongado do Dia do Armistício, que marca o final da Primeira Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918.
Moradores de subúrbios afetados pela violência devem fazer uma passeata no centro de Paris na sexta-feira pedindo o fim da violência.
O chefe da polícia de Paris, Pierre Mutz, proibiu a compra e o transporte de gasolina em galões, pois várias pessoas foram presas com bombas incendiárias. Ele também teme que haja violência na própria cidade de Paris.
Segundo o gabinete de Mutz foram feitas convocações nos últimos dias por sites da Internet e mensagens de texto nos celulares, propondo encontros dentro de Paris e sugerindo ações violentas.
Gaudin afirmou que não há ameaças específicas neste fim de semana, mas que a polícia está monitorando a Internet. A segurança foi reforçada na região da avenida Champs Elysées, onde o presidente Jacques Chirac deve participar de uma cerimônia.
O jornal Le Parisien disse que "para a polícia e o governo, estes três dias são um teste".
Os distúrbios na região de Paris em geral ficam restritos aos conjuntos habitacionais dos subúrbios, a cerca de uma hora de distância do centro. Eles são provocados por jovens que protestam contra o racismo, o desemprego, a falta de perspectivas e os maus-tratos policiais. Na capital em si, a vida continua normalmente.
A violência urbana diminuiu desde que o governo autorizou as autoridades locais a imporem toques de recolher noturnos, embora poucos dos 96 departamentos tenham considerado isso necessário.
A polícia disse que 201 pessoas foram detidas durante a noite, mas que os distúrbios são mais difundidos do que nas noites anteriores. Carros foram incendiados em Toulouse, Marselha, Estrasburgo e Mulhouse.
O presidente Jacques Chirac, criticado por seu silêncio durante a crise, disse na quinta-feira que o governo tem de cuidar dos problemas nos subúrbios.
- Precisamos reagir com vigor e rapidez aos inquestionáveis problemas que muitos habitantes de bairros desprovidos no entorno das nossas cidades enfrentam, afirmou.
O ministro das Finanças, Thierry Breton, disse ter preparado uma série de propostas para criar mais empregos.
- Colocamos muito dinheiro nos subúrbios nos últimos 20 anos, mas obviamente não foi suficiente, disse ele ao jornal britânico Financial Times.