A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a circuncisão masculina no seu pacote de recomendações para a prevenção e combate à AIDS no mundo que inclui a distribuição de camisinhas, oferta de testes para o vírus HIV, tratamento e divulgação de informações sobre sexo seguro, entre outros.
A decisão foi tomada depois de uma reunião internacional de especialistas em Montreaux, na Suíça, no início de março, que discutiram e avaliaram os resultados das últimas pesquisas sobre o assunto.
- As recomendações representam um passo significativo na direção da prevenção do HIV -, afirmou Kevin De Cock, o diretor do departamento de HIV/AIDS da OMS.
A OMS recomenda que em países com altas taxas de infecção de HIV entre parceiros heterossexuais e baixos índices de circuncisão ofereçam a intervenção cirúrgica em homens de graça.
A organização ressalta, entretanto, que o impacto na epidemia de AIDS só poderá ser sentido em "vários anos".
- A ampliação das circuncisões masculinas nesses países vai resultar num benefício imediato para os indivíduos -, disse De Cock.
Ainda assim, um estudo da OMS estima que a circuncisão na região da África subsaariana poderia evitar 5,7 milhões de novos casos de infecção por HIV e 3 milhões de mortes nos próximos 20 anos.
A recomendação da OMS só foi anunciada depois de uma cuidadosa análise de testes realizados no Quênia, em Uganda e na África do Sul, que indicam que a circuncisão diminuiu a infecção de homens em relações heterossexuais em cerca de 60%.
Os testes corroboram as observações anteriores de cientistas, que detectaram um índice de contaminação mais baixo em regiões geográficas nos países que culturalmente preferem circuncisar os homens.
Atualmente, estima-se que 665 milhões de homens, ou seja, 30% da população masculina sejam circuncisados. No entanto, ela ressalta que a circuncisão masculina não pode ser vista como uma proteção completa contra o HIV.
Para Hankins, homens e mulheres têm que considerar o método preventivo e continuar a usar outras formas de proteção, como camisinhas masculinas e femininas, diminuição do número de parceiros sexuais e prorrogação da primeira experiência sexual.
A OMS alerta que realização da cirurgia, no entanto, pode representar novos desafios para países em desenvolvimento em que os serviços de saúde não estão bem estruturados e onde há carência de profissionais de saúde.
OMS recomenda circuncisão para combater Aids
Quarta, 28 de Março de 2007 às 14:34, por: CdB