A febre amarela é transmitida pelos mesmo mosquito que carrega os vírus do zika e da dengue, mas é uma doença muito mais séria
Por Redação, com agências internacionais - de Genebra/Londres:
Em vista das preocupações crescentes com um surto mortal de febre amarela que está se disseminando a partir de Angola, nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os viajantes com destino ao país africano a atentarem para seus avisos e se vacinarem.
Pelo menos 258 pessoas já morreram e surgiram cerca de 1.975 casos suspeitos da doença transmitida por mosquitos desde a irrupção de uma epidemia em dezembro de 2015 que já se tornou o pior surto do tipo em décadas.
A febre amarela é transmitida pelos mesmo mosquito que carrega os vírus do zika e da dengue, mas é uma doença muito mais séria, com taxas de mortalidade de até 75 % em casos mais graves, e exige internação hospitalar.
A epidemia de Angola já se espalhou para outras nações do continente, entre elas a República Democrática do Congo (DRC, na sigla em inglês), e pelo menos 11 casos de febre amarela chegaram à China por meio de pessoas saídas de Angola.
– Casos de febre amarela ligados a este surto foram detectados em outros países da África e da Ásia – disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS, em um comunicado.
Zika
Em torno de 600 especialistas de 43 países se reúnem na segunda-feira em Paris para discutir o recente surto de zika vírus, que começou no Brasil no início de 2015, se espalhou pela América Latina e agora ameaça se alastrar para o resto do mundo.
Cientistas e especialistas em saúde pública discutem a relação da infecção pelo vírus com casos de microcefalia em bebês, além de problemas neurológicos em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e morte.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para um potencial "aumento significativo" das infecções, enquanto no Brasil o surto apresenta sinais de declínio. Há, porém, temores de que o zika possa chegar ao hemisfério norte durante o verão, na metade do ano, juntamente com os mosquitos transmissores.
– Enquanto as temperaturas começam a aumentar na Europa, duas espécies de mosquitos Aedes, que sabemos que podem transmitir o vírus, começarão a circular – afirmou a diretora-assistente da OMS Marie-Paule Kieny durante a conferência em Paris. "O mosquito não conhece fronteiras", alertou.
Levando-se em conta o risco de que as transmissões possam ocorrer através de relações sexuais, o mundo "poderá testemunhar um aumento acentuado do número de pessoas infectadas pelo zika e das complicações relacionadas", disse Kieny. Ela descreveu o vírus como uma "emergência global" e uma "ameaça crescente".
Com a queda das temperaturas nas regiões tropicais e subtropicais, o surto no Brasil está "claramente em declínio", afirmou Kieny, sem fornecer dados sobre a informação.
Risco baixo para a Europa
O Instituto Pasteur divulgou recentemente uma pesquisa afirmando que, ainda assim, para o continente europeu o risco é reduzido, uma vez que o mosquito Aedes albopictus, presente em cerca de 20 países durante o verão, é menos capaz de causar surtos da doença do que o Aedes aegypti.
Mesmo que as transmissões locais sejam possíveis, o risco de um surto na Europa é "aparentemente baixo", segundo o imunologista francês Jean-François Delfraissy.
Apesar das inúmeras pesquisas realizadas, pouco se sabe soube o vírus – por quanto tempo pode permanecer ocultado no corpo humano, o grau do risco de transmissão sexual, a relação completa das doenças que podem resultar do zika e todas as espécies de mosquito que podem transmiti-lo.
– O que preocupa não é o que sabemos, mas o que não sabemos – afirmou o professor Davis Heymann, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Não podemos fazer recomendações se não compreendemos todo o potencial de um vírus ou bactéria", disse.
No início do mês, autoridades de saúde dos Estados Unidos comprovaram a associação entre a contaminação pelo vírus e os casos de microcefalia, e afirmaram que o zika é "mais assustador" do que se pensava.
– Continuamos a aprender todos os dias, e o que aprendemos não é nada tranquilizador – disse Anne Schuchat, vice-diretora do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.