Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

OMS emite alerta de febre amarela na Angola

Em vista das preocupações crescentes com um surto mortal de febre amarela que está se disseminando a partir de Angola, nesta terça-feira

Terça, 26 de Abril de 2016 às 08:32, por: CdB

A febre amarela é transmitida pelos mesmo mosquito que carrega os vírus do zika e da dengue, mas é uma doença muito mais séria

Por Redação, com agências internacionais - de Genebra/Londres:

Em vista das preocupações crescentes com um surto mortal de febre amarela que está se disseminando a partir de Angola, nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os viajantes com destino ao país africano a atentarem para seus avisos e se vacinarem.

Pelo menos 258 pessoas já morreram e surgiram cerca de 1.975 casos suspeitos da doença transmitida por mosquitos desde a irrupção de uma epidemia em dezembro de 2015 que já se tornou o pior surto do tipo em décadas.

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Pelo menos 258 pessoas já morreram e surgiram cerca de 1.975 casos suspeitos da doença

A febre amarela é transmitida pelos mesmo mosquito que carrega os vírus do zika e da dengue, mas é uma doença muito mais séria, com taxas de mortalidade de até 75 % em casos mais graves, e exige internação hospitalar.

A epidemia de Angola já se espalhou para outras nações do continente, entre elas a República Democrática do Congo (DRC, na sigla em inglês), e pelo menos 11 casos de febre amarela chegaram à China por meio de pessoas saídas de Angola.

– Casos de febre amarela ligados a este surto foram detectados em outros países da África e da Ásia – disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS, em um comunicado.

Zika

Em torno de 600 especialistas de 43 países se reúnem na segunda-feira em Paris para discutir o recente surto de zika vírus, que começou no Brasil no início de 2015, se espalhou pela América Latina e agora ameaça se alastrar para o resto do mundo.

Cientistas e especialistas em saúde pública discutem a relação da infecção pelo vírus com casos de microcefalia em bebês, além de problemas neurológicos em adultos, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e morte.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para um potencial "aumento significativo" das infecções, enquanto no Brasil o surto apresenta sinais de declínio. Há, porém, temores de que o zika possa chegar ao hemisfério norte durante o verão, na metade do ano, juntamente com os mosquitos transmissores.

– Enquanto as temperaturas começam a aumentar na Europa, duas espécies de mosquitos Aedes, que sabemos que podem transmitir o vírus, começarão a circular – afirmou a diretora-assistente da OMS Marie-Paule Kieny durante a conferência em Paris. "O mosquito não conhece fronteiras", alertou.

Levando-se em conta o risco de que as transmissões possam ocorrer através de relações sexuais, o mundo "poderá testemunhar um aumento acentuado do número de pessoas infectadas pelo zika e das complicações relacionadas", disse Kieny. Ela descreveu o vírus como uma "emergência global" e uma "ameaça crescente".

Com a queda das temperaturas nas regiões tropicais e subtropicais, o surto no Brasil está "claramente em declínio", afirmou Kieny, sem fornecer dados sobre a informação.

Risco baixo para a Europa

O Instituto Pasteur divulgou recentemente uma pesquisa afirmando que, ainda assim, para o continente europeu o risco é reduzido, uma vez que o mosquito Aedes albopictus, presente em cerca de 20 países durante o verão, é menos capaz de causar surtos da doença do que o Aedes aegypti.

Mesmo que as transmissões locais sejam possíveis, o risco de um surto na Europa é "aparentemente baixo", segundo o imunologista francês Jean-François Delfraissy.

Apesar das inúmeras pesquisas realizadas, pouco se sabe soube o vírus – por quanto tempo pode permanecer ocultado no corpo humano, o grau do risco de transmissão sexual, a relação completa das doenças que podem resultar do zika e todas as espécies de mosquito que podem transmiti-lo.

– O que preocupa não é o que sabemos, mas o que não sabemos – afirmou o professor Davis Heymann, da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres. "Não podemos fazer recomendações se não compreendemos todo o potencial de um vírus ou bactéria", disse.

No início do mês, autoridades de saúde dos Estados Unidos comprovaram a associação entre a contaminação pelo vírus e os casos de microcefalia, e afirmaram que o zika é "mais assustador" do que se pensava.

– Continuamos a aprender todos os dias, e o que aprendemos não é nada tranquilizador – disse Anne Schuchat, vice-diretora do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.

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