Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

OMS diz que China vive momento crítico na luta contra a Aids

Quarta, 29 de Junho de 2005 às 07:27, por: CdB

A China vive um momento crítico na sua luta contra a Aids, quando poderá ampliar as atuais medidas preventivas ou relaxar e colocar milhões de vidas em risco, disse nesta quarta-feira um importante funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O lado negativo do boom econômico do país mais populoso do mundo é que a maior mobilidade e a desigualdade social aumentaram os riscos de transmissão da doença, segundo Jack Chow, diretor-assistente da OMS para Aids, tuberculose e malária.

- Há homens que agora têm dinheiro e frequentemente contratam trabalhadoras sexuais, há mulheres de regiões rurais pobres que entram no trabalho sexual. As disparidades econômicas também implicam acesso diferente ao atendimento médico. E riqueza significa oportunidade de viajar - disse Chow.

Chow, que participará em Kobe (Japão) da 7a. Conferência sobre Aids na Ásia-Pacífico, que vai de 1o. a 5 de julho, disse que Pequim está adotando medidas positivas contra a doença, mas que a situação continua grave.

- O que precisamos ver é uma resposta coletiva que iguale, caso não supere, o ritmo da epidemia de Aids. Qualquer coisa aquém disso poderá potencialmente fazer o número de casos disparar - ressaltou. 

A China diz ter apenas 840 mil casos de Aids entre seus 1,3 bilhão de habitantes. Só recentemente o governo ampliou suas iniciativas contra a disseminação da doença, após o acobertamento inicial de um escândalo de venda de sangue. As autoridades continuam vendo com suspeitas os voluntários e ONGs que tentam combater o HIV/Aids.

A ONU estima que 8,2 milhões de asiáticos sejam soropositivos, dos quais 5,1 milhões estão na Índia. A China pode ter 10 milhões de pacientes até 2010 se não tomar medidas mais drásticas.

Uma importante atitude chinesa citada por Chow foi no combate ao preconceito, quando o primeiro-ministro Wen Jiabao apertou a mão de pacientes com Aids em um hospital de Pequim, no Dia Mundial da Aids de 2003. Mas o dirigente da OMS alertou que mais coisas precisam ser feitas.

- Precisa haver uma ampliação assertiva das intervenções de saúde, da mensagem social, um amplo compromisso político. Qualquer minúscula porcentagem da população na China significa dezenas de milhões de pessoas. Então é realmente essencial que o governo amplie sua reação em uma escala nacional abrangente - ressaltou.

Outro perigo para os soropositivos da Ásia é a tuberculose, uma doença respiratória que responde por um terço das mortes dos doentes de Aids no mundo. Pessoas com sistemas imunológicos debilitados são especialmente suscetíveis à doença.

Cerca de 14 milhões de pessoas no mundo estão contaminadas com o HIV e com o bacilo da tuberculose, uma situação que aumenta os riscos de difusão da tuberculose para a população como um todo. Há cepas da doença cada vez mais resistentes a tratamentos, o que, segundo Chow, pode abalar a capacidade dos países, mesmo desenvolvidos, de combatê-la.

- Vimos com a Sars síndrome respiratória aguda grave que uma epidemia está a apenas uma viagem aérea de distância - diss ele. 

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