Rio de Janeiro, 23 de Maio de 2026

OMS diz que a China está omitindo casos de pneumonia atípica

Médicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmaram nesta quarta-feira que os casos em Pequim da síndrome respiratória aguda, uma pneumonia atípica conhecida pela sigla em inglês SARS, são muito maiores do que as autoridades chinesas revelaram. Esses casos, segundo os médicos, talvez sejam de até 200 - e não os 37 informados oficialmente -, já que os dados do governo excluem pacientes que estão internados em hospitais militares. (Leia Mais)

Quarta, 16 de Abril de 2003 às 05:35, por: CdB

Médicos da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmaram nesta quarta-feira que os casos em Pequim da síndrome respiratória aguda, uma pneumonia atípica conhecida pela sigla em inglês SARS, são muito maiores do que as autoridades chinesas revelaram. Esses casos, segundo os médicos, talvez sejam de até 200 - e não os 37 informados oficialmente -, já que os dados do governo excluem pacientes que estão internados em hospitais militares. A OMS disse que importantes autoridades do Ministério da Saúde da China declararam à imprensa, na semana passada, que seus números incluíam os pacientes nos hospitais militares. Mas os médicos da organização estimaram que poderia haver mais 100 a 200 casos em Pequim, além de mais 1.000 pessoas que poderiam ser incluídos no total nacional de casos suspeitos. "O vírus não diferencia entre militares e civis", disse o dr. Henk Bekedam, um representante da OMS na China. "Temos um problema quando as autoridades militares não relatam seus números para o governo em Pequim". "O governo percebe, agora, que isso é um problema e que as coisas precisam mudar", acrescentou. Médicos da OMS visitaram dois hospitais militares em Pequim, nesta quarta-feira, e conversaram com funcionários de um terceiro, mas eles não têm permissão para discutir detalhes do que viram sem uma autorização do Ministério da Defesa, afirmou a organização. Não houve, de imediato, uma reação das autoridades militares. Ainda nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde relatou mais uma morte e 10 novos casos de SARS na China continental. O informe vem na esteira de um relatório divulgado na terça-feira em Hong Kong, onde mais nove pacientes morreram e 42 novos casos foram registrados. Esses números elevam o total de casos de SARS em Hong Kong para 1.232, com 56 mortes. Na China continental, o total é de 1.445 casos, com 65 mortes. Na terça-feira, a OMS havia informado que 22 países registraram um total de 3.262 casos, com 155 mortes. A doença foi inicialmente detectada na província chinesa de Guangdong, em novembro do ano passado, mas as autoridades da Saúde só alertaram a comunidade internacional cerca de quatro meses depois, segundo o dr. David Heymann, um diretor da OMS. De acordo com a organização e o Centro para o Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, a SARS é causada por um recém-descoberto coronavírus - da mesma família de vírus que causa o resfriado comum. Os sintomas incluem febre alta, tosse seca, fôlego curto ou dificuldade de respiração.

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