Roberto Azevedo , secretario-geral da OMC, marca a história da Organização com o fechamento do primeiro acordo global
A Organização Mundial do Comércio (OMC) fechou o primeiro acordo de reforma do comércio, em nível planetário, neste sábado. Cerca de 160 ministros, reunidos na ilha indonésia de Bali, aplaudiram a decisão que poderá injetar US$ 1 trilhão na economia global. A aprovação aconteceu após a decisão de Cuba vetar, na última hora, de vetar o pacote de medidas.
– Pela primeira vez em nossa história, a OMC verdadeiramente realizou. Dessa vez todos os membros se uniram. Colocamos de volta a palavra 'mundial' em Organização Mundial do Comércio. Estamos de volta ao trabalho... Bali é só o começo – disse o chefe da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, a ministros exaustos que participaram de um dia extra de negociações na ilha tropical.
As negociações iniciadas na terça-feira quase fracassaram no último minuto, quando Cuba repentinamente se recusou a aceitar um acordo que não ajudasse a abrir o embargo imposto pelos Estados Unidos à ilha, o que forçou as negociações a se arrastarem pela manhã de sábado. O governo cubano, posteriormente, concordou em realizar um acordo direto com os Estados Unidos. Ainda assim, havia ceticismo com o acordo fechado na Indonésia.
– Além da burocracia sobre uma séria disputa na área de segurança alimentar, se avançou pouco em Bali. Lidar com a rixa em torno da segurança alimentar absorveu o oxigênio do restante das negociações – disse Simon Evenett, professor de comércio internacional na Universidade de St. Gallen, na Suíça.
As negociações começaram sob nuvens por conta de uma insistência da Índia de que só apoiaria um acordo se houvesse um acerto na questão dos subsídios aos alimentos, por causa de seu gigantesco programa de estocagem de comida para alimentar os pobres. A Índia, que terá eleições no ano que vem, foi elogiada domesticamente por tomar um posição em favor dos pobres do mundo.
O acordo foi recebido com júbilo pelo ministro do Comércio, Anand Sharma. Embora a Índia insistisse em exceções permanentes às regras da OMC, o texto final teve o objetivo de recomendar uma solução permanente em quatro anos. Mas o acordo é um marco para os 159 membros da OMC, representando o primeiro pacto comercial global da entidade desde sua criação em 1995.
Também resgata a entidade da beira do fracasso e vai gerar confiança na capacidade de reduzir as barreiras ao comércio em todo o mundo, depois de 12 anos de negociações sem sucesso. O acordo vai reduzir barreiras comerciais e acelerar a passagem de produtos pelas alfândegas. Analistas estimam que ao longo do tempo ele pode impulsionar a economia mundial em centenas de bilhões de dólares e criar mais de 20 milhões de empregos, a maioria deles em países em desenvolvimento.
Agora, o acordo precisa ser aprovado pelos governos de cada um dos países membros.
– É bom tanto para os membros desenvolvidos quanto para os em desenvolvimento – disse o representante comercial dos Estados Unidos, Michael Froman.
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