Em seus dez anos de existência, a Organização Mundial do Comério (OMC) provocou divergência entre economistas, movimentos sociais e governos do Sul e do Norte do planeta. Algumas organizações acreditam que as regras da OMC beneficiam apenas os países ricos.
- As regras são pensadas para atender aos interesses das grandes corporações. Tem que ter regras, sim, mas que enxerguem o comércio como um meio para se obter o desenvolvimento - defende Fátima Mello, secretária-executiva da Rede de Integração dos Povos (Rebrip).
Um "juiz míope", porém necessário, define Marcos Jank, presidente do Instituto de estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Jank crê que a OMC deve ser usada pelos países pobres como forma de criar regras mais justas de comércio. O mesmo pensa o advogado Durval Noronha de Goyos Jr., sócio do escritório Noronha Advogados e árbitro da OMC. "Temos que trabalhar dentro da OMC. Há muitas situações desvantajosas para os países em desenvolvimento que, espera-se, sejam revertidas no âmbito da Rodada Doha", diz.
Leia o especial deste mês, que coloca em debate essas diversas visões sobre OMC, no aniversário de dez anos da organização:
Doha é a chave para mudanças nas regras
Sociedade civil quer amplitude do multilateralismo
A origem no GATT do pós-guerra