Nos próximos dias, a Organização Mundial do Comércio, órgão responsável pela definição das normas para o comércio internacional, desde 1995, divulga o nome do eliminado no primeiro "paredão" no processo de seleção para a diretoria geral da entidade. Deve ser afastado da disputa o candidato considerado "menos capaz de obter o consenso", como explica o embaixador brasileiro Luiz Felipe Seixas Corrêa, que disputa o cargo com o diplomata uruguaio Carlos Pérez del Castillo, o ex-comissário da União Européia, o francês Pascal Lamy, e o ministro de Relações Exteriores e Comércio das Ilhas Maurício, Jaya Krishna Cuttaree.
A eleição se dá por meio da formação progressiva de consenso, e o Brasil procura mostrar que sua candidatura tem o apoio dos países em desenvolvimento, em especial os membros do G-20, grupo criado em torno da proposta de liberalização do comércio internacional de produtos agrícolas, durante as negociações da Rodada Doha da OMC, em 2003, em encontro em Cancun, no México. A Rodada é assim chamada porque se iniciou em 2001, durante conferência na cidade de Doha, no Catar.
Na época, Seixas Corrêa, que já trabalhava como representante brasileiro junto à OMC, foi um dos principais articuladores da formação do G-20. Em entrevista à Rádio Nacional de Brasília, o embaixador comentou o atual estado do processo de seleção, após duas semanas de "consultas confidenciais" com os representantes dos 148 países membros da organização. A decisão final acontece até o fim de maio, segundo o embaixador. Em setembro, toma posse o substituto do atual diretor-geral, o tailandês Supachai Panitchpakdi. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Como estão as consultas no processo de seleção do novo diretor?
- Foram duas semanas de consultas confidenciais. Como ele chamam aqui, de "confessionário", com todos os representantes dos países membros. Foram consultados 140 entre os 148 membros da OMC. Nesse momento, hoje, os três membros da presidência do conselho e os dois embaixadores que assessoram estão reunidos para avaliar o resultado dessa consulta a se retirar.
Quer dizer que, em algum momento, ele vão chamar alguns candidatos, talvez amanhã, para dizer as conclusões a que terão chegado, e o objetivo dessa primeira rodada de consultas é o de convidar o candidato considerado menos capaz de obter o consenso
Quais são as chances de o sr. permanecer na disputa?
- Eu considero muito boas, porque nós temos um apoio muito bem distribuído geograficamente por todas as regiões. Todos os grandes países em desenvolvimento, Índia, China, Tailândia, África do Sul, terão indicado o Brasil como sua primeira preferência. Temos um número grande de segundas preferências. Em outras palavras, nós estamos em uma posição sólida. É claro que as consultas são confidenciais, às vezes as pessoas podem dizer uma coisa e fazer outra, a gente sabe disso, mas não creio que isso tenha ocorrido. Então, estou com expectativa positiva para que nós continuemos a campanha.
Por que o Brasil apresentou o nome do senhor para concorrer à diretoria-geral da OMC?
- A OMC é uma organização importantíssima para o Brasil, porque é na OMC que se estabelecem as normas multilaterais que regem o comercio internacional. É também o órgão que administra o sistema de solução de controvérsias, e o Brasil é um país que tem um comercio equilibrado com o mundo inteiro, um comércio que está crescendo, mas que enfrenta ainda muitas barreiras, cuja superação depende de uma negociação bem sucedida da atual Rodada de Doha.
Nós acreditamos representar os interesses dos países em desenvolvimento em obter normas mais justas, mais equilibradas, que garantam mais acesso aos nossos produtos. Foi com essas bandeiras que nós lançamos essa candidatura e temos esperanças em vê-la vitoriosa.
Amanhã será possível conhecer o resultado dessa rodada, então?
- Amanhã, espera-se que o pr
OMC começa escolha de novo diretor
Nos próximos dias, a Organização Mundial do Comércio, órgão responsável pela definição das normas para o comércio internacional, desde 1995, divulga o nome do eliminado no primeiro "paredão" no processo de seleção para a diretoria geral da entidade. (Leia Mais)
Quinta, 14 de Abril de 2005 às 15:16, por: CdB