Após doze anos de negociações, a Arábia Saudita deve finalmente entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC). A entrada do país na entidade foi aprovada nesta sexta-feira em uma reunião em Genebra.
A Arábia Saudita considera sua entrada na OMC como um passo importante para que o país receba mais investimentos estrangeiros.
Mas, segundo o analista da BBC Roger Hardy, a campanha saudita para entrar na OMC esteve marcada por controvérsias políticas.
A Arábia Saudita sempre procurou se fechar às influências externas, e a entrada na OMC pode representar a entrada no mundo moderno e globalizado.
Por isso, os líderes políticos do país tiveram que assegurar aos poderosos líderes religiosos que a entrada na organização não significará um repentino fluxo de álcool, pornografia e outros produtos importados indesejados.
Abertura
Os liberais sauditas, em contraste, vêem a entrada na OMC como uma maneira de forçar a mudança e esperam que as reformas econômicas possam, com o tempo, encorajar também uma abertura política.
A perspectiva da entrada saudita na organização também provocou fortes críticas no exterior.
Membros do Senado e do Congresso dos EUA vêem a questão como uma recompensa que a Arábia Saudita não merece.
Eles pediram, sem sucesso, que o governo do presidente George W. Bush estabelecesse condições duras para fazer os sauditas abandonarem seu boicote comercial a Israel, contribuíssem mais com a guerra ao terror liderada pelos EUA e melhorassem sua atuação em relação aos direitos humanos.