Os cidadãos de Omã participaram neste sábado das primeiras eleições sem restrição do censo para escolher os 83 membros do "Conselho de Shura", um órgão consultivo destinado a assessorar o Governo e o sultão Qabús, chefe de Estado. Pela primeira vez toda a população com mais de 21 anos pôde votar, após o édito do ano passado por meio do qual o sultão aboliu as restrições de censo das eleições anteriores, nos quais apenas um quarto da população tinha direito a voto.
O Governo "selecionou" os eleitores, escolhidos entre a classe intelectual, os chefes tribais e o setor dos negócios. Os 506 candidatos das eleições de hoje, entre eles 15 mulheres, concorrem como independentes, pois os partidos políticos não existem em Omã.
Nas últimas eleições, das 21 mulheres que se apresentaram apenas duas conseguiram uma cadeira. Uma das candidatas que participam hoje, Lujaina Darweesh, expressou à imprensa sua confiança em que o novo Conselho "desempenhe um papel importante no processo de desenvolvimento do país".
A reforma do censo eleitoral em Omã foi louvado por representantes ocidentais, que a consideraram um "passo fundamental" para a democratização plena deste rico sultanato.
O "Conselho de Shura", que é eleito desde 1991, não tem poderes legislativos e sua principal função é assessorar o Governo em questões econômicas, mas não pode opinar sobre questões de segurança, defesa e relações exteriores.
O ex-juiz do Tribunal Supremo Said Al Busaidey, citado hoje pela imprensa local, afirma que "chegou o momento de se conceder poder legislativo ao conselho consultivo, que permita à população tomar decisões sobre os assuntos do país". Busaidey disse que estas eleições marcam "o maior passo dado por Omã para a democracia".
Dentre os países do Golfo Pérsico, apenas Bahrein e Kuwait realizam eleições, embora neste último emirado as mulheres não tenham direito a participar.
O Catar, por outro lado, prometeu que nas próximas eleições parlamentares as mulheres possam tomar parte, algo por enquanto impensável na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.