O Olodum, tradicional entidade carnavalesca baiana, levou 200 percursionistas na noite de quinta-feira para carregar uma multidão de 300 mil pessoas pelas ruas do centro histórico da capital da Bahia.
Durante todo o percurso, que teve início em frente ao elevador Lacerda, um dos principais pontos turísticos da cidade, todas as pessoas que acompanharam as batucadas do grupo não pararam de cantar as 72 músicas do repertório.
"Nenhum outro grupo da Bahia conhece tanto o gingado do povo. É fantástico ouvir e dançar com eles. Quando eu ouço o Olodum meu corpo treme," disse a estudante Érica de Santana, 15, depois de quase quatro horas ao lado das caixas de som do trio elétrico.
Para um dos cantores do grupo, Lucas Di Fiori, a popularidade do Olodum foi levantada graças a uma tradição de 24 anos de integração com a cultura local. "Nós somos a base do Carnaval baiano, sem o Olodum, a Bahia fica desfigurada."
A fama pode ser constatada nos momentos em que os três cantores deixavam uma música inteira para o povo cantar. "O Olodum troca uma energia muito grande com esse povo. Às vezes eu acho que sou desnecessário, bastaria nossos percursionistas e essa voz maravilhosa," afirmou Tonho Matéria apontando para o povo, considerado pelo Conselho do Carnaval baiano como o melhor puxador do Carnaval.
E não era só de cantoria que as pessoas se entretiam. Por diversas vezes os pipoqueiros, público não-pagante que acompanha os trios do lado de fora das cordas, trocaram socos e pontapés. Em determinado momento, o Olodum, rompendo uma tradição de não interromper suas percursões, calou-se para pedir que as pessoas limitassem sua diversão à dança.
"Não briguem, não matem, não morram. O Olodum é pela vida," exasperou Di Fiori, que há 10 anos acompanha o grupo.
Pedido compreendido e as batucadas fortes continuaram a soar pelo trajeto. O som, em seu auge, bateu os 120 decibéis, segundo medição feita pela Prefeitura, exatamente o barulho de uma turbina de avião.
A bateria deste ano superou os 90 percursionistas de 2003 e foi reforçada, em parte do trajeto, por cerca de 50 instrumentistas sul-africanos, que vieram acompanhar o Carnaval baiano.
A primeira saída do Olodum no Carnaval de Salvador, é a noite mais tradicional. Os percursionistas saem da sede do grupo e cumprem um ritual de encontro no centro do Pelourinho. Depois seguem juntos até o trio elétrico.
"A sexta-feira é um momento de tradição, em que passamos pelas ruas do Pelourinho carregando uma multidão de curiosos, no mesmo ritual que fazemos há 24 anos," explicou o diretor de marketing do grupo, João Calazans.