Os líderes israelense e palestino manifestaram otimismo ne domingo com a possibilidade de paz em antecipação à reunião de cúpula das nações da União Européia e da costa mediterrânea, na capital francesa, Paris.
– Nós nunca estivemos tão próximos de um acordo como hoje – afirmou o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, em entrevista coletiva após reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
– Está se aproximando o momento em que teremos que fazer escolhas decisivas – acrescentou.
O líder palestino, Mahmoud Abbas, disse que ambos desejam a paz.
– Nós começamos uma negociação em profundidade com Ehud Olmert e a ministra do Exterior (de Israel), Tzipi Livni. Nós vamos nos empenhar nesta iniciativa – afirmou.
Sarkozy disse que sua gestão à frente da Presidência rotativa da União Européia está comprometida como progresso no processo de paz do Oriente Médio.
Síria
Olmert disse que gostaria de realizar conversações diretas com a Síria, mas advertiu que isto não pode atrasar sua negociação com os palestinos.
Já foram feitos progressos em algumas áreas. Sarkozy anunciou no sábado que a Síria e o Líbano concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e abrir embaixadas nas capitais um do outro.
As relações diplomáticas entre a Síria e o Líbano foram rompidas após o assassinato do político libanês Rafiq Hariri, em 2005. Beirute acusou a Síria de envolvimento no crime, o que o governo sírio nega.
Sarkozy pediu também ao líder sírio, Bashar Assad, para usar seus laços com o Irã para ajudar a resolver o impasse internacional sobre as ambições nucleares iranianas.
Mediterrâneo
Deste evento em Paris, que reúne um total de 43 nações, deverá surgir ainda uma organização de integração regional - União pelo Mediterrâneo (UPM) - que deverá lidar com questões como imigração e poluição.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que o papel da Europa e da França é ajudar a se conseguir a paz através de desenvolvimento econômico, iniciativas políticas e o fornecimento de garantias para todos os envolvidos. Segundo ele, o principal problema existente é confiança.
– Como nós podemos conseguir paz nesta parte do mundo se não desenvolvermos confiança, se não estendermos a mão da paz e tomarmos a iniciativa? – disse Sarkozy.
Mas a proposta de lançamento da UPM está sendo recebida com reservas por alguns países da União Européia, especialmente pela Alemanha.
O presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, se recusou a participar do encontro de Paris dizendo que o novo bloco é um plano para minar a unidade árabe e africana.
Há ainda preocupações na Turquia de que sua própria intenção de integrar a União Européia acabe prejudicada com a formação do novo bloco.
Mas a iniciativa foi bem recebida por países com filosofia pragmática como Egito e Marrocos, que a encaram como uma oportunidade para atrair investimentos estrangeiros que pode criar empregos para milhões de desempregados em seus territórios, de acordo com o correspondente da BBC no Cairo, Magdi Abdelhadi.
Grupos de defesa dos direitos humanos que são críticos aos governos árabes também manifestaram preocupação com o novo bloco. Eles dizem que a nova organização não obriga os dirigentes árabes a introduzir reformas democráticas genuínas ou melhorar seu desempenho na área dos direitos humanos.
Olmert e Abbas se dizem otimistas na França
Segunda, 14 de Julho de 2008 às 07:41, por: CdB