Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Olmert descarta negociações com a Síria, por enquanto

Primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert descartou, nesta quinta-feira, a intenção de manter contatos diplomáticos com a Síria e disse esperar pouca pressão dos Estados Unidos sobre o assunto. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Dezembro de 2006 às 11:18, por: CdB

Primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert descartou, nesta quinta-feira, a intenção de manter contatos diplomáticos com a Síria e disse esperar pouca pressão dos Estados Unidos sobre o assunto, apesar de um relatório norte-americano exortar o governo a dar mais empenho à paz árabe-israelense como parte dos esforços para amenizar as tensões na região. As recomendações do Grupo de Estudo do Iraque, na quarta-feira, incluíram sugestões para um diálogo direto entre Israel e a Síria. O premiê afirmou que é errado ligar o conflito árabe-israelense ao aprofundamento da crise no Oriente Médio, especialmente ao conflito no Iraque.

- O Oriente Médio tem muitos problemas que não têm ligação conosco - disse Olmert a jornalistas em uma conferência em Tel Aviv.

Olmert afirmou, também, que embora seu governo não concorde com a Comissão Baker-Hamilton, está disposto a negociar com os regimes moderados. Ele acredita que ainda é cedo para falar do assunto porque a comissão, que recomenda promover a resolução do conflito israelense com seus vizinhos árabes como uma das estratégias para resolver o conflito no Iraque, ainda não representa a postura oficial do Governo do presidente George Bush.

- Não se pode falar ainda de uma postura dos Estados Unidos, mas da postura de um grupo, e a questão é, por enquanto, uma questão interna norte-americana. Não sei o que Bush decidirá fazer com esse relatório; o que eu posso dizer é que o que ouvi sobre a Síria do presidente e de (a secretária de Estado, Condoleezza) Rice é que não vêem que será aberto um caminho para negociações nem entre os EUA e a Síria nem entre Israel e a Síria - reiterou.

O premiê afirmou também que confia "no bom senso de Bush" e na sua "liderança". Ele quer avaliar, ainda, a questão sobre entrega, por parte de Israel, das Colinas de Golã em troca de uma paz na região, como recomendou a Comissão Baker-Hamilton. O premiê israelense quer saber o que Damasco estaria disposto a dar em troca.

- Dois primeiros-ministros ou inclusive mais - sei de (Ehud) Barak e (Yitzhak) Rabin, mas acho que também (Benjamin Netanyahu) - ofereceram uma retirada completa. A questão de o que Israel oferece à Síria já foi colocada no passado. O que eu gostaria de gostaria saber agora é o que Israel receberia em um processo de negociação com a Síria - disse.

O primeiro-ministro israelense explicou que o apoio da Síria a grupos como o Hisbolá também não estimula a abertura de um canal de negociações. Olmert se mostrou mais otimista em relação ao caso palestino e se disse disposto a negociar com qualquer Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) que aceite as condições definidas pelo Quarteto de Madri, formado por EUA, a União Européia, Rússia e ONU.

- Se houver um Governo que aceita as condições do Quarteto, eu trabalharei com eles, até mesmo se houver membros do Hamas - concluiu.

Reação Síria

A Síria considera o informe Baker "objetivo", principalmente no que diz respeito ao papel que os países vizinhos do Iraque podem desempenhar para garantir a segurança, afirmou nesta quinta-feira o ministério sírio de Relações Exteriores.

O país vizinho a Israel também acha que o informe é "positivo" porque "leva em conta a origem dos problemas que levam à tensão e à desestabilização no Oriente Médio", acrescenta o funcionário da chancelaria.

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