Por Mário Augusto Jakobskind - Os meios de comunicação de um modo geral não divulgaram, por motivos óbvios, que o cineasta estadunidense, Oliver Stone está preparando um documentário sobre a Ucrânia. Stone entrevistou o presidente deposto Viktor Yanukovich. O cineasta contará em detalhes as principais revelações do dirigente afastado do poder a força, em fevereiro do ano passado. Adiantando o que ouviu, Stone revelou que os “atiradores” que provocaram 14 mortes de policiais , 85 feridos e ainda mataram 45 civis que protestavam, eram provocadores.
O cineasta Oliver Stone quer fazer um filme mostrando o outro lado da guerra dos separatistas na Ucrânia
Os meios de comunicação de um modo geral não divulgaram, por motivos óbvios, que o cineasta estadunidense, Oliver Stone está preparando um documentário sobre a Ucrânia. Stone entrevistou o presidente deposto Viktor Yanukovich. O cineasta contará em detalhes as principais revelações do dirigente afastado do poder a força, em fevereiro do ano passado.
Adiantando o que ouviu, Stone revelou que os “atiradores” que provocaram 14 mortes de policiais , 85 feridos e ainda mataram 45 civis que protestavam, eram provocadores. Testemunhas, entre os quais o próprio Yanukovich acreditam que os provocadores infiltrados vieram do exterior e foram introduzidos por grupos ocidentais com o aval da Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).
Oliver Stone lembra ainda que a tentativa de mudança de regime por um golpe de estado em 2002 na Venezuela, quando o Presidente Hugo Chávez foi temporariamente afastado, depois que manifestantes foram atingidos por misteriosos atiradores escondidos em escritórios, teve semelhança com o que aconteceu em Kiev.
Stone explica que o acontecimento na Ucrânia se assemelha a técnica utilizada no início do ano passado na Venezuela quando o governo legitimamente eleito, de Nicolás Maduro, quase foi derrubado com o uso de violência contra manifestantes antigoverno legitimo.
Observa ainda Stone que “basta criar um belo cenário de caos, como fez a CIA no Irã em 1953, no Chile em 1973 e em numerosos outros golpes de estado e o governo legítimo pode ser detonado”. .
É a chamada técnica do soft power norte-americano, conhecido também como "Regime Mudança 101".
Neste caso, o ”massacre de Maidan”, assinala Stone, foi descrito pela mídia ocidental como resultado do instável e brutal governo filo russo de Yanukovich. É necessário recordar que Yanukovich a 21 de fevereiro fez um acordo com os partidos de oposição e três Ministros do Exterior da União Europeia, que queriam livrar-se dele através de eleições antecipadas.
No dia seguinte, o pacto já perdia o valor, quando grupos radicais neonazistas armados até os dentes obrigaram Yanukovych a fugir do país depois de repetidas tentativas de assassinato.
Em seguida foi instalado um novo governo filo-ocidental, imediatamente reconhecido pelos Estados Unidos, como aconteceu no golpe contra Chávez em 2002 na Venezuela.
Stone considera esta uma “história suja”, mas na sequência do trágico golpe de estado, o Ocidente apresentou a versão dominante, a da “Rússia na Crimeia”. O cineasta acha que o certo é a versão “Estados Unidos na Ucrânia”.
A verdade não vai na onda do Ocidente, mas setrata de uma manipulação surrealista da história que se está verificando ainda mais uma vez, da mesma forma como durante a campanha eleitoral de George W. Bush na pré-invasão do Iraque, a história das armas de destruição em massa.
“Mas creio que a verdade virá finalmente à tona no Ocidente. Para uma compreensão mais ampla dos fatos, vale conhecer a analise de Pepe Escobar "um novo arco de instabilidade na Europa” à crescente instabilidade em 2015, enquanto os Estados Unidos não possam tolerar a ideia de qualquer entidade econômica rival”.
Vale também conhecer “A história nunca contada”, onde discutíamos os danos provocados pelos impérios coloniais do passado, que não permitiram o nascimento de países economicamente competitivos.
E assim caminha a Ucrânia, sem que a mídia tradicional, destas bandas também, dê espaço para outras versões dos fatos fora das defensas do ”european way of life”.
Ainda sobre Charlie Hebdo, o jornal O Globo mais uma vez se superou ao afirmar em um de seus editoriais que Mahmoud Abbas é uma liderança sectária que transfere problemas do
Oriente Médio para a Europa.
O jornal da família Marinho nada falou sobre a presença do abutre Benyamin Netanyahu, que foi a Paris participar das manifestações contra o terrorismo que vitimou 17 pessoas. Ou seja, mais uma vez o jornal mencionado mostrou claramente onde se alinha ideologicamente.
E ainda por cima O Globo posa de democrata e que corre atrás da verdade. Pode ser, mas deve ser acrescentado que se trata de uma verdade defensora dos interesses dos proprietários.
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , será lançado dia 17, no Rio de Janeiro.Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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