Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Oliver Stone esbanja excessos em <i>Alexandre</i>

Domingo, 16 de Janeiro de 2005 às 10:37, por: CdB

No filme Alexandre", estréia da sexta-feira, o diretor Oliver Stone retrata seu protagonista como se ele fosse um roqueiro dependente da glória e da fama, que vai impelindo a si mesmo e a sua banda numa turnê que ameaça não acabar nunca.

E ele próprio, Stone, faz o mesmo com seu filme, levando-o sem parar rumo à glória cinematográfica -- com mais e mais batalhas, mais e mais melodrama e mais e mais brilho visual --, num percurso que toma três horas longas e cansativas.

"Alexandre" mapeia a carreira militar estarrecedora do rei macedônio (Colin Farrell) que viveu no século 4 a.C., cujas conquistas lhe valeram a alcunha de "Alexandre, o Grande" ou "Alexandre Magno".

O filme perde o norte já em sua parte inicial e a todo momento esbanja excessos. Os atores proferem discursos longos e pesados, as imagens se repetem com frequência, e a música de Vangelis martela os ouvidos do espectador, aparentemente sem descanso.

Em nenhum momento, porém, se pode dizer que "Alexandre" seja enfadonho. A derrota retumbante que Alexandre impõe ao exército persa na batalha de Gaugamela, em meio a nuvens de poeira amarela, é cinema instigante. Babilônia, com seu lendário jardim suspenso, não decepciona quem conhece sua reputação de ser uma das sete maravilhas da antiguidade. Os melodramas da história frequentemente são picantes -- e, com frequência, pelas razões equivocadas.

O público alvo de "Alexandre" é sobretudo o masculino, tanto hetero quanto homossexual. Mas a história é relatada de maneira tão bombástica e exagerada que em muitos momentos provoca risos de escárnio.

E os sotaques absurdos falados por um elenco que não pára de despejar diálogos pouco convincentes provocam o distanciamento ainda maior do espectador.

Quando morreu, antes de completar 33 anos, Alexandre (356-323 a.C.) já tinha percorrido 35 mil quilômetros e formado um império de mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, estendendo-se das atuais Grécia e Turquia até o Egito e partes da Índia. Em toda sua vida, ele nunca perdeu uma única batalha.

É evidente que qualquer filme que se proponha a mostrar sua vida, mesmo que apenas arranhe a superfície dela, terá que descrever um jogo de amarelinha temporal, saltando de um momento para outro.

Oliver Stone optou por demorar-se em cenas que revelam a formação do conquistador, seu relacionamento intenso com seu amigo de infância Hephaistion, o exotismo das terras que conquistou e sua crença inabalável de que o caminho que percorreu rumo à glória formava um paralelo com o de seu ídolo, o lendário guerreiro grego Aquiles.

Stone, que escreveu o roteiro juntamente com Christopher Kyle e Laeta Kalogridis, relata a história através dos olhos envelhecidos de Ptolomeu (Anthony Hopkins, grisalho e de túnica branca), que foi confidente de Alexandre e está ditando suas memórias na Biblioteca de Alexandria.

As cenas iniciais estabelecem o ambiente em que Alexandre se criou: em sua cama, cercada de serpentes, sua mãe Olympia (Angelina Jolie) ensina seu filho a segurar uma cobra sem hesitar.

A cena de carinho maternal é interrompida por uma tentativa de estupro de Olympia cometida pelo bêbado e selvagem pai de Alexandre, o rei Felipe da Macedônia (Val Kilmer, descabelado e gordo), um monarca vulgar que, entretanto, teve um filho cortês e elegante.

Em seguida, cenas de luta livre entre garotos apresentam ao espectador o amigo que foi a alma gêmea de Alexandre, Hephaistion. Uma aula de Aristóteles (Christopher Plummer) permite que o sábio trace a rota que Alexandre seguirá para conquistar seu império e lhe ensine as virtudes do amor.

Seu pai lhe transmite pequenas pérolas de sua "sabedoria": "as mulheres são mais perigosas do que os homens", "um rei deve saber que precisa ferir aqueles a quem ama". Sua mãe lhe enche a cabeça de fofocas maldosas sobre seu pai. Alexandre e Hephaistion se agarram, numa amizade amorosa.

Em seguida, vemos os dois já homens feitos, encarnados por Colin Farrell e Jared Leto

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