Uma grande festa no Armazém 6 do Cais do Porto, na Praça Mauá, com a participação de seis mil jovens moradores de 85 comunidades de baixa renda do Rio, abriu neste sábado a Olimpíada Carioca. Promovida pelo governo do Estado em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a olimpíada é considerada o principal legado social dos XV Jogos Pan-americanos do Rio.
A competição, que ocorrerá de agosto a dezembro, reunirá 4.500 jovens de 14 a 17 anos, nas modalidades de futebol, futsal, basquete, atletismo, vôlei e vôlei de praia, além de atletismo e natação para 400 pára-atletas. As disputas ocorrerão no Aterro do Flamengo, Escola do Exército, na Urca, e em áreas públicas da Penha.
- Com a reunião desses jovens de todas as comunidades, estamos desmistificando que não possa haver integração entre eles. Estamos trabalhando para elevar a auto-estima dessas crianças, fazendo com eles se sintam donas desse projeto, e acabar com o estigma de que só porque moram em comunidades sejam integrantes de facção a ou b – afirmou a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva.
De acordo com Benedita, a olimpíada, que também o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é apenas o início da transformação que o governador Sérgio Cabral deseja realizar dentro das comunidades de baixa renda. Segundo ela, em parceria com o governo federal, assim que acabar o Pan, o Estado iniciará as obras sociais necessárias para mudar a realidade dessas regiões.
Luiz Fernando Corrêa também destacou a importância da olimpíada como o indutor das transformações dentro das comunidades. Segundo ele, quando o governo federal começou o planejamento de segurança para o Pan-americano, também iniciou a idéia de como fazer com que a população do Rio pudesse se beneficiar da realização dos Jogos.
Segundo ele, o trabalho que vem sendo realizado é muito maior e invisível, do que apenas o conjunto de equipamentos de segurança instalados no Rio e que ficarão para os governos do estado e do município. Ele garantiu também que a Força Nacional de Segurança permanecerá na cidade, após os Jogos, até o momento em que o setor de inteligência, tanto do estado quanto do governo federal, achar necessário.
A abertura da Olimpíada Carioca contou com o desfile das delegações, divididas por oito regiões da cidade, representando os 160 bairros que integrarão a competição. O medalhista pan-americano Diogo Silva, ouro no taekwondo, abriu o desfile carregando a bandeira nacional, tendo ao seu lado a atriz Cíntia Rosa, do grupo Nós do Morro, que levou a bandeira do estado do Rio.
O atleta Diogo Silva destacou a importância de atuar dentro das comunidades carentes, como forma de contribuir para o crescimento cultural e social de toda a população. Segundo ele, só com o apoio do poder público será possível descobrir novos talentos esportistas e tornar o país uma verdadeira potência esportiva.
- Esse trabalho social deveria se estender para todas as regiões carentes do país, levando cultura e esporte para dentro das comunidades, pois ali há diversos jovens tentando vencer na vida. É fundamental se criar novos centros de treinamentos, assim como a realização de ações culturais e sociais nas áreas mais carentes – afirmou o medalhista de ouro da equipe brasileira.