Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Oligarquias cada vez mais preocupadas com avanço da esquerda no Brasil

Por Gilberto de Souza - É preciso ter estômago forte e nervos de aço para assistir ao febapa* destilado pela imprensa de direita. Nos inúmeros canais de TV dominados pelas forças conservadoras do país, é enfadonho assistir às gralhas de aluguel, contratadas a peso de ouro, pinicar a paciência e o fairplay de qualquer brasileiro com um mínimo de responsabilidade com o país.

Segunda, 16 de Agosto de 2010 às 12:25, por: CdB
Imprensa vendidaÉ preciso ter estômago forte e nervos de aço para assistir ao febapa* destilado pela imprensa de direita. Nos inúmeros canais de TV dominados pelas forças conservadoras do país, é enfadonho assistir às gralhas de aluguel, contratadas a peso de ouro, pinicar a paciência e o fairplay de qualquer brasileiro com um mínimo de responsabilidade com o país. Juntam geralmente três maricotas, dois machos e uma fêmea, todos com passagem pelas lides golpistas da era militarista, em um passado nada distante, no final da tarde de sexta-feira, para gastar o tempo concedido por assinantes da TV fechada, ou na programação da TV aberta, nos mais diversos horários. Mais interessante ainda é notar que se trata de um movimento orquestrado esse, nos meios conservadores de comunicação. As pautas são escolhidas a dedo, após várias ligações entre os donos dessas emissoras e os cardeais das forças da direita que tentam voltar ao comando do país, por intermédio do candidato deles à Presidência da República, José Serra (PSDB). As odes ao candidato conservador são repassadas nos programas das emissoras, ao mesmo tempo em que a grade é pontuada de ataques à candidata petista, Dilma Rousseff. Acontece, no entanto, o fenômeno que se repete nestas eleições e vem ocorrendo desde a primeira vez em que o eleitorado conduziu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, há quase oito anos. Quanto mais os jornais, revistas e canais de TV dominados pelas oligarquias brasileiras ampliam seus ataques às forças da esquerda, unificadas na aliança que sustenta o atual governo no Congresso, mais a candidatura escolhida por Lula cresce no conceito dos eleitores. Tanto a ponto de os institutos de pesquisa precisarem acertar o passo de seus resultados com a realidade política brasileira, sob pena de ver a credibilidade sucumbir sob o peso da opinião pública. O fato de o país viver a contradição de ter os seus principais veículos de imprensa dominados por uma fatia minoritária e rica, que luta desesperadamente por seus interesses, sugere um debate mais apurado sobre o conceito da mídia e a formação da audiência no país. O assunto, por si mesmo, suscita a ira das classes dominantes e, rapidamente, encontra eco nas instituições que, de forma aparente, lutam pelas liberdades democráticas. Assim, com o uso da prerrogativa desses veículos de comunicação, a fatia financeiramente preponderante da sociedade pula e grita aqui, na Argentina, na Venezuela, no Equador e em quantos países mais se questiona o poder dominante. O cabo-de-guerra, no entanto, está formado. Na ponta direita, o poderoso esquema conservador, alimentado por recursos financiados pelo capital transnacional – ainda que enfraquecido pela crise mundial do capitalismo –, movimenta-se com o apoio de setores do Poder Judiciário e no Parlamento, enquanto na esquerda fala mais alto, e cada vez mais alto, o voto do cidadão. Essa série de vitórias, nas urnas, anuncia o amanhecer de uma revolução, ainda que tardia, na Imprensa brasileira, embora venha a significar uma dura adaptação dos setores oligarquizados aos novos tempos. *Febeapá é a sigla criada pelo cronista Sérgio Porto para o Festival de Besteira que Assola o País. Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
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