O deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) procurou nesta quarta-feira em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, desqualificar a representação do P-SOL contra ele por suposta quebra de decoro parlamentar.
— Representação sem fatos, representação sem provas, não é acusação, é apenas injúria —, afirmou Calheiros, que se diz inocente e vítima de disputa eleitoral e paroquial em seu estado, onde é adversário político da presidente do P-SOL, a ex-senadora Heloísa Helena.
Calheiros afirmou que a imprensa faz denúncias sem provas e classificou de falsas as matérias publicadas envolvendo seu nome com o empresário Zuleido Veras, da Gautama (empresa acusada de desviar recursos públicos).
— Não existe nenhuma gravação de conversa minha com Zuleido e também não me lembro de ter ido com o empresário a nenhuma reunião com autoridade do governo federal para tratar de liberação de recursos. A acusação de que atuei como parlamentar em favor
da Gautama é falsa —, afirmou.
O deputado negou as denúncias de que teria apresentado emendas ao Orçamento Geral da União para beneficiar a Gautama. Quanto à venda da sua fábrica de sucos e refrigerantes (Conny Indústria e Comércio de Sucos e Refrigerantes), no município de Murici (AL), para a Schincariol, Calheiros afirmou que foi uma transação comercial legal. Segundo ele, não houve qualquer acordo de favorecimento à cervejaria junto ao governo.
Para desqualificar a representação movida contra ele pelo P-SOL, Calheiros usou 17 adjetivos, entre os quais destacam-se: "aberrante, vulgar, irresponsável, odiosa, inquisitorial, leviana, medieval, embusteira, vazia, mentirosa, inepta e injuriosa".
Ao rebater as críticas de Calheiros, o líder do P-SOL, Chico Alencar (RJ), disse que a representação não tem nada de paroquial, nem tem relação com disputa regional.
— O P-SOL representou contra o deputado como partido político, que tem o dever de lutar pela transparência e seriedade na política —, disse.
A maioria dos deputados que se manifestou destacou, entretanto, que a representação não apresenta fatos e provas que possam levar à conclusão de que Calheiros tenha quebrado o decoro parlamentar.
— Acho que aqui não tem nada para concluir que Olavo Calheiros tenha faltado com o decoro —, disse Moreira Mendes (PPS-RO).
— Até o momento, não tem nenhuma consistência a denúncia contra o deputado —, afirmou Paulo Piau (PMDB-MG).
José Carlos Araújo (PR-BA), por sua vez, afirmou que a denúncia não tem nada "palpável" que possa incriminar o deputado.
O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), considerou normais as afirmações dos conselheiros de que a representação não apresenta provas que levem à conclusão de que Calheiros tenha quebrado o decoro parlamentar.
— Todo início de processo de investigação aqui no conselho é assim mesmo. Mas achei tranqüilo demais, não esperava tanto —, disse.
Izar disse que, a partir de agora, o conselho irá à procura das provas, ouvirá testemunhas e investigará.
Olavo Calheiros se defende de representação do P-SOL no Conselho de Ética
Quarta, 05 de Setembro de 2007 às 16:47, por: CdB