O presidente-executivo da América Móvil no Brasil, José Félix, disse que o colapso da rival Oi não estimula a consolidação no setor de telecomunicações no país
Por Redação, com Reuters - de São Paulo:
O diretor de varejo da Oi afirmou nesta quarta-feira que a companhia não registrou queda na procura de clientes por seus serviços após o pedido de recuperação judicial da empresa na semana passada.
– A vida operacionalmente continua a mesma. Vendas, recarga (de celular pré-pago) não diminuíram por causa disso – disse Bernardo Winik a jornalistas durante evento do setor de TV por assinatura.
O executivo anunciou lançamento de serviços de TV por assinatura na modalidade pré-paga em estratégia da empresa para capturar parte da base de 1,2 milhão de usuários que consome apenas programação de emissoras abertas.
Winik também afirmou que a Oi mantém meta de conseguir 1 milhão de clientes de pacote quádruplo de serviços (TV, banda larga e telefone fixo e móvel) até o fim do ano, ante 320 mil atuais.
O presidente-executivo da América Móvil no Brasil, José Félix, disse que o colapso da rival Oi não estimula a consolidação no setor de telecomunicações no país, diante da insegurança jurídica e da elevada carga tributária.
Para a companhia mexicana, que opera no país com as marcas Claro, Net e Embratel, fatores como insegurança jurídica, altas carga tributária e necessidade de investimento tornam o setor pouco atrativo para novos investidores, disse Félix.
– Num cenário em que apenas 6 % que esse negócio gera vai para o acionista (...) é baixa a atratividade para novos entrantes. Quem tem dinheiro para investir não vai querer rasgar dinheiro – disse ele, contando que só a América Móvil investiu R$ 30 bilhões nos últimos três anos no país.
Perguntado sobre interesse em ativos da Oi, ele respondeu: "Não estamos pensando nisso agora (...) Fomos todos tomados de surpresa com este desfecho (pedido de recuperação judicial) radical e intempestivo.
Senado
O Senado aprovou na terça-feira convocar representantes da Oi e da Anatel para esclarecer possíveis impactos para clientes da operadora de telecomunicações após esta ter pedido de recuperação judicial na semana passada.
A audiência pública, pedida pelo senador Otto Alencar (PSD/BA), ocorrerá na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, mas ainda sem data marcada para acontecer, segundo a Agência Senado.
No último dia 20, a Oi entrou com pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro, na tentativa de reestruturar dívidas que somam R$ 65,4 bilhões, após não ter conseguido chegar a um acordo com os credores.
A Oi quarta é maior operadora de telefonia móvel do país, com 47,68 milhões de clientes no final de abril.