Oi e Portugal Telecom assinam fusão e criam multinacional
A Oi e a Portugal Telecom, uma das principais acionistas da operadora brasileira, anunciaram nesta quarta-feira acordo preliminar para uma fusão de suas operações que prevê um aumento de capital de pelo menos R$ 7 bilhões na Oi.
A Oi e a Portugal Telecom, uma das principais acionistas da operadora brasileira
A Oi e a Portugal Telecom, uma das principais acionistas da operadora brasileira, anunciaram nesta quarta-feira acordo preliminar para uma fusão de suas operações que prevê um aumento de capital de pelo menos R$ 7 bilhões na Oi.
A operação criará a CorpCo, uma multinacional com cerca de 100 milhões de clientes e permitirá captura de sinergias de cerca de R$ 5,5 bilhões, afirmaram os grupos.
Além disso, a transação simplificará a complexa estrutura societária atual das duas empresas de modo que a CorpCo não terá acionista ou grupo de investidores vinculados que detenham a maioria das ações votantes da companhia.
O acordo acontece pouco tempo depois de a Oi ter feito grande corte em sua política de dividendos, pressionada por uma dívida líquida de quase 30 bilhões de reais e necessidade de acelerar investimentos no país.
O mercado especulava há meses sobre a união das duas companhias, em apostas que foram reforçadas a partir de junho quando o executivo Zeinal Bava deixou o comando da Portugal Telecom para liderar a Oi.
A operação também é anunciada cerca de uma semana depois que a espanhola Telefónica fechou acordo com os principais acionistas da holding controladora da Telecom Italia para aumentar participação no grupo. No Brasil, a Telefónica controla a Vivo e a Telecom Italia detém a TIM, rivais da Oi.
O presidente da Oi, Zeinal Bava, ex-presidente da Portugal Telecom, afirmou que a previsão de sinergias a serem geradas com a união das empresas é "conservadora" e que está confiante que a CorpCo terá fluxo de caixa livre e reduzirá endividamento.
- A ambição é estar entre os maiores players globais, assumindo uma vocação multinacional (...) - disse Bava, em declarações escritas enviadas à Reuters. As ações da Portugal Telecom disparavam mais de 13 por cento após o anúncio do acordo.
- Entre os pontos positivos, resolve problema de aumento de capital que teria que fazer a Telemar no ano que vem", afirmou o analista Guido dos Santos, analista do português Caixa Banco de Investimento. "Acho que quem perde é Portugal, já que a nova empresa vai ser brasileira, mas isso faz sentido, o mercado lá é enorme, com maior potencial de crescimento - acrescentou.
- Nosso setor é expoente máximo da globalização. Vamos criar hoje uma empresa com ambição global. Se isso não for feito, é difícil manter competitividade - disse Bava a jornalistas, quando perguntado sobre os recentes eventos de fusões e aquisições na indústria.
Ele afirmou que a previsão de sinergias a serem geradas com a união de Oi e Portugal Teleocm é conservadora. O executivo está confiante que a CorpCo terá fluxo de caixa livre e reduzirá endividamento.
- O foco da gestão vai continuar a ser garantir Capex (investimento) alinhado com geração de caixa. A redução de dívida continuará sendo imperativo estratégico no futuro - declarou o executivo no Rio de Janeiro, onde ficará a sede da empresa combinada.
Oi e Portugal Telecom tiveram juntas receita de 37,45 bilhões de reais em 2012, com geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) de R$ 12,77 bilhões. O endividamento líquido das duas atualmente é superior a R$ 40 bilhões, ou 3,3 vezes o Ebitda.
O ministro brasileiro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que a união de Oi e Portugal Telecom é "a consolidação de uma estratégia que já vinha se desenhando".
A Portugal Telecom entrou no capital da Oi e em seu bloco de controle em 2010, após ter vendido a participação que tinha na Vivo para a Telefónica.
Oi e Portugal Telecom esperam ter as autorizações regulatórias para a união no quarto trimestre deste ano, com o aumento de capital da Oi e a conclusão do negócio ocorrendo na primeira metade de 2014.
Uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) disse à Reuters que a aprovação do negócio deverá "ser simples", por ter pouco efeito do ponto de vista concorrencial. "Não há sobreposição. A Portugal Telecom já era uma das controladoras (da Oi)", disse a fonte da agência.
A transação precisará ser aprovada também pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Na bolsa paulista, as ações preferenciais e ordinárias da Oi avançavam 10% e 7 %, respectivamente, enquanto o Ibovespa subia 0,44%. As ações da Portugal Telecom na Bolsa de Lisboa chegaram a disparar mais de 20%, mas reduziram a alta para 6,7%.
- Entre os pontos positivos, resolve problema de aumento de capital que teria que fazer a Telemar (Oi) no ano que vem", afirmou o analista Guido dos Santos, do Caixa Banco de Investimento, de Portugal. "Acho que quem perde é Portugal, já que a nova empresa vai ser brasileira, mas isso faz sentido, o mercado lá é enorme, com maior potencial de crescimento.
Já o analista Pedro Oliveira, do BPI, não mostrou estar convencido sobre a fusão, por avaliar que ela não resolve o problema do endividamento. "A nova empresa terá um índice de alavancagem financeira de 3,3 vezes (o Ebitda), o que é muito alto para o setor. E com perspectivas de aumentar, já que o Ebitda no segundo semestre (2013) no Brasil e Portugal deverá continuar sob pressão", disse.
Aumento de capital
Segundo os termos do acordo, além da incorporação da Portugal Telecom, haverá um aumento de capital mínimo da Oi de R$ 7 bilhões, "com objetivo de alcançar R$ 8 bilhões, em dinheiro, com vistas a melhorar a flexibilidade do balanço da CorpCo".
Os atuais acionistas da Telemar Participações e um veículo de investimento administrado e gerido pelo BTG Pactual participarão do aumento de capital com subscrição de cerca de R$ 2 bilhões.
A CorpCo terá ações listadas no segmento Novo Mercado da Bovespa, na bolsa de Nova York e na NYSE Euronext Lisbon, e terá apenas ações ordinárias (com direito a voto). A Oi será uma subsidiária integral da CorpCo, que vai incorporar a Portugal Telecom.
Cada ação ordinária da Oi será substituída por 1 ação da CorpCo e cada 1,0857 preferencial da empresa brasileira por 1 ação da CorpCo. Cada ação da Portugal Telecom será trocada por 0,6330 ação da CorpCo e 2,2911 euros equivalentes em ações da CorpCo ao mesmo preço do aumento de capital da Oi.
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