Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Oficina que fazia jóias da Coroa continua na ativa

Nada na porta verde de madeira envelhecida pelo tempo deixa adivinhar o mundo que esconde. Na discreta oficina do Bairro Alto de Lisboa, o ouro e a prata se transformam em obras de arte nas mãos de artesãos e joalheiros há mais de 100 anos. (Leia mais)

Segunda, 12 de Maio de 2008 às 12:47, por: CdB

Nada na porta verde de madeira envelhecida pelo tempo deixa adivinhar o mundo que esconde. Na discreta oficina do Bairro Alto de Lisboa, o ouro e a prata se transformam em obras de arte nas mãos de artesãos e joalheiros há mais de 100 anos.

Em pleno coração do Bairro Alto, na oficina da Travessa da Espera faz-se do desenho uma arte e se transforma o metal em peças únicas com o uso do computador, mas também com ferramentas que testemunham a antiguidade do local, onde os antigos joalheiros da Coroa instalaram em 1890 a casa Leitão & Irmão.

Quem está por detrás da porta verde diz que o trabalho é mais do que um emprego, mas um ofício exercido "por gosto" e "amor à arte".

Primeiro os moldes, depois o trabalho de bancada, mas é na forja que José Gomes, chefe de oficina, encontra o que mais gosta. Ali, se funde a prata, "um dos metais mais difíceis de fundir", quase a mil graus.

– É preciso muito treinamento para se fundir uma peça de prata – revela José Gomes, que se iniciou na profissão aos 17 anos, mas não se considera um artista ou um artesão.

O joalheiro admite, no entanto, que pára diante de uma vitrine sempre que vê exposta uma peça que passou por suas mãos. "Satisfação", assim define o que sente, apenas "satisfação".

"Fascínio" é outro termo que surge com facilidade, agora nas palavras de Fátima Neto, responsável pelos trabalhos em ouro.

– É fascinante pegar um desenho, interpretá-lo e transformá-lo em uma peça. É um trabalho muito importante porque, se o ourives ou o joalheiro não captar o que o designer quis, a peça, por mais bonita que esteja no desenho, pode não corresponder às expectativas – explicou a experiente Fátima Neto, na profissão há 20 anos.

– Eu acho que tenho que ser um bocadinho artista, porque um artista vê mais do que um simples traço, vê a alma das coisas – acredita.

Em uma época na qual "crise" é a palavra de ordem em Portugal, Jorge Leitão, proprietário da oficina que pertence à mesma família há cinco gerações, diz que nenhuma de suas três lojas em Lisboa foi afetada pela economia nos últimos tempos.

– Penso que há uma forma de trabalhar bastante genuína, em que nós propomos ao público aquilo que é a nossa criação – diz o joalheiro de 49 anos, que considera que essa "genuinidade" não se encontra nos trabalhos de quem "é só um comerciante".

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