Nada na porta verde de madeira envelhecida pelo tempo deixa adivinhar o mundo que esconde. Na discreta oficina do Bairro Alto de Lisboa, o ouro e a prata se transformam em obras de arte nas mãos de artesãos e joalheiros há mais de 100 anos.
Em pleno coração do Bairro Alto, na oficina da Travessa da Espera faz-se do desenho uma arte e se transforma o metal em peças únicas com o uso do computador, mas também com ferramentas que testemunham a antiguidade do local, onde os antigos joalheiros da Coroa instalaram em 1890 a casa Leitão & Irmão.
Quem está por detrás da porta verde diz que o trabalho é mais do que um emprego, mas um ofício exercido "por gosto" e "amor à arte".
Primeiro os moldes, depois o trabalho de bancada, mas é na forja que José Gomes, chefe de oficina, encontra o que mais gosta. Ali, se funde a prata, "um dos metais mais difíceis de fundir", quase a mil graus.
– É preciso muito treinamento para se fundir uma peça de prata – revela José Gomes, que se iniciou na profissão aos 17 anos, mas não se considera um artista ou um artesão.
O joalheiro admite, no entanto, que pára diante de uma vitrine sempre que vê exposta uma peça que passou por suas mãos. "Satisfação", assim define o que sente, apenas "satisfação".
"Fascínio" é outro termo que surge com facilidade, agora nas palavras de Fátima Neto, responsável pelos trabalhos em ouro.
– É fascinante pegar um desenho, interpretá-lo e transformá-lo em uma peça. É um trabalho muito importante porque, se o ourives ou o joalheiro não captar o que o designer quis, a peça, por mais bonita que esteja no desenho, pode não corresponder às expectativas – explicou a experiente Fátima Neto, na profissão há 20 anos.
– Eu acho que tenho que ser um bocadinho artista, porque um artista vê mais do que um simples traço, vê a alma das coisas – acredita.
Em uma época na qual "crise" é a palavra de ordem em Portugal, Jorge Leitão, proprietário da oficina que pertence à mesma família há cinco gerações, diz que nenhuma de suas três lojas em Lisboa foi afetada pela economia nos últimos tempos.
– Penso que há uma forma de trabalhar bastante genuína, em que nós propomos ao público aquilo que é a nossa criação – diz o joalheiro de 49 anos, que considera que essa "genuinidade" não se encontra nos trabalhos de quem "é só um comerciante".
Oficina que fazia jóias da Coroa continua na ativa
Nada na porta verde de madeira envelhecida pelo tempo deixa adivinhar o mundo que esconde. Na discreta oficina do Bairro Alto de Lisboa, o ouro e a prata se transformam em obras de arte nas mãos de artesãos e joalheiros há mais de 100 anos. (Leia mais)
Segunda, 12 de Maio de 2008 às 12:47, por: CdB