Policiais federais e um oficial de Justiça estiveram na casa de shows Canecão, em Botafogo, para cumprir uma decisão, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, de reintegração de posse do terreno, em favor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os agentes federais lacraram as entradas do imóvel com fitas e cadeados.
O reitor da universidade, Aloísio Teixeira, e outros funcionários da instituição presenciaram a ação, que ocorreu sem tumultos. Segundo Teixeira, uma vez liberado, o espaço abrigará um centro cultural. "Depois que eles saírem, vamos convocar integrantes da classe artística para desenhar esse projeto. A universidade não dispõe de uma fartura de recursos para investir. Mas, com apoio político e artístico, vamos conseguir", afirmou.
A disputa entre o Canecão e a UFRJ é antiga. Desde 1997, a universidade vem recorrendo à Justiça para retomar o terreno, cedido à empresa em 1992 por cinco anos, prazo que não foi cumprido. Em 2002, o Tribunal de Contas da União decidiu que o imóvel e uma área de 116,2 mil metros quadrados - na qual a casa de shows está instalada - deveriam ser retomados pela UFRJ.
Em maio do ano passado, a Procuradoria Regional Federal do Rio deu parecer favorável à UFRJ para reintegração de posse. Na época, além de devolver o espaço, o Canecão teria que pagar uma indenização de R$ 4 milhões à universidade. Uma série de recursos, porém, permitiram que a casa de shows continuasse funcionando.
O terreno onde se encontra o Canecão é da UFRJ desde 1967. Desde 1950, no entanto, a entidade beneficiada com o terreno era a extinta Associação dos Servidores Civis do Brasil, que, em vez de usá-lo como sede esportiva e social, sublocava partes da área. O Canecão foi aberto em junho de 1967, como uma grande cervejaria com espetáculos de variedades. Com o passar do tempo, o espaço passou a ter shows de MPB e recebeu grandes artistas, como Elis Regina, Vinicius e Tom Jobim.