Um destacado responsável da inteligência britânica foi despedido por assegurar que o primeiro- ministro, Tony Blair, enganou o país sobre as supostas armas de destruição em massa do Iraque, afirma o jornal The Sunday Times.
John Morrison, ex-subdiretor da espionagem do Ministério da Defesa, perdeu seu trabalho como investigador para o Comitê de Inteligência dos Comuns depois de criticar publicamente o primeiro- ministro em um programa da BBC emitido há duas semanas.
Morrison afirmou no programa "Panorama", no último dia 11, que os responsáveis dos serviços secretos não acreditaram na afirmação de Blair que o regime de Saddam Hussein supunha uma séria ameaça para o Reino Unido.
"O primeiro-ministro foi além do que qualquer analista profissional pudesse ter avaliado", afirmou Morrison no programa.
Assegurou além disso que o governo pressionou em várias ocasiões o Pessoal de Inteligência de Defesa do qual ele era subdiretor e que se encarrega de analisar os dados de espionagem que lhe subministram o britânico MI6 e outros organismos estrangeiros.
Segundo disseram fontes oficiais ao "Sunday Times", Morrison era um empregado do governo e não devia haver feito críticas públicas, por isso "claro que não voltará a trabalhar para o Comitê".
No passado 14 de julho, o chamado relatório Butler identificou "sérios" erros dos serviços secretos na espionagem usado para justificar a guerra e concluiu que o Iraque não podia usar armas de destruição em massa no momento da invasão, em março de 2003.
Mas lorde Butler, um ex-alto funcionário com cinco governos distintos, precisou que o executivo britânico não enganou "de forma deliberada" e que não houve um único culpado.