Oficiais venezuelanos que realizam cursos nos Estados Unidos podem continuar seus estudos no país, apesar de o presidente Hugo Chávez ter encerrado unilateralmente um programa de intercâmbio militar, disse na segunda-feira o embaixador norte-americano em Caracas.
O esquerdista Chávez, que vê nos EUA uma ameaça militar ao seu governo, confirmou no domingo que deu ordens para a retirada de um pequeno grupo de instrutores norte-americanos que trabalhavam na Venezuela, como parte de um programa de intercâmbio iniciado há 35 anos.
A decisão abre mais um atrito entre a Venezuela, que é o quinto maior exportador de petróleo do mundo, e os EUA, que são seu principal cliente.
Atualmente, há 90 oficiais venezuelanos estudando nos EUA graças ao programa de intercâmbio, mas Chávez não disse se eles serão trazidos de volta.
O embaixador William Brownfield disse à Reuters que a decisão anunciada por Chávez é inteiramente unilateral.
"Todos os militares venezuelanos que estão participando em programas de intercâmbio nos EUA ainda são bem-vindos e convidados a fazê-lo", disse ele pouco antes de fazer uma doação de computadores a uma escola de Caracas.
Chávez, um ex-tenente-coronel que anunciou também o fim das operações conjuntas envolvendo as Forças Armadas dos dois países, acusou alguns instrutores militares dos EUA na Venezuela de criticarem o governo diante dos alunos.
O Departamento de Estado informou que os EUA lamentam a decisão e a consideram "injustificada".
Em Caracas, Brownfield afirmou: "Valorizamos muito o intercâmbio militar e achamos que ele na verdade contribui com um melhor entendimento."
Chávez acusa os EUA de ter apoiado uma tentativa de golpe que ele sofreu, em 2002, e de planejar sua morte. Washington nega e critica o venezuelano pelas recentes compras de armas e por suas alianças com países como Cuba e Irã.
Brownfield se disse intrigado pela declaração feita no domingo por Chávez de que uma oficial da Marinha dos EUA e alguns jornalistas norte-americanos teriam sido temporariamente detidos, em recentes incidentes separados, por fotografarem um quartel e uma refinaria da Venezuela.
"Suspeito que o presidente talvez esteja nos pregando uma pequena peça. O que eu posso dizer, com certeza, é que não houve detenções ou prisões de cidadãos dos EUA nos últimos meses", afirmou.
Chávez disse que uma norte-americana foi detida "há alguns meses" por tirar fotos de um quartel em Maracay, a oeste de Caracas. Ele afirmou ter cópias dos documentos da mulher, que a identificavam como sendo oficial da Marinha, mas não revelou o nome dela.
Brownfield disse que, pelas regras diplomáticas, a Venezuela teria obrigação de informar à embaixada sobre a prisão de norte-americanos. "Não recebemos tal notificação, portanto estamos confiantes de que não houve detenção."
Mais tarde, ele disse a jornalistas que, há quatro meses, a embaixada recebeu a notícia de que uma oficial de baixo escalão da Marinha dos EUA havia tido sua bolsa furtada, com seus documentos dentro, quando visitava Maracay.