Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Ofensiva israelense em Gaza mata ao menos 19 palestinos

Terça, 18 de Maio de 2004 às 11:10, por: CdB

O Exército de Israel matou pelo menos 19 palestinos na terça-feira, na pior incursão militar à Faixa de Gaza em anos, apesar das críticas internacionais.

O ataque com tanques e infantaria ao campo de refugiados de Rafah, que é famoso por abrigar militantes, foi condenado tanto pela ONU (Organização das Nações Unidas) como pela União Européia, principalmente por causa das ameaças israelenses de destruir centenas de casas palestinas na região.

O Exército afirmou, porém, que não há planos para a demolição sistemática de casas durante a operação, que tem o objetivo de interromper o contrabando de armas através de túneis que vêm do Egito.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chamou a ofensiva de "preocupante", mas disse ao grupo pró-Israel Aipac que o país "tem todo o direito de se defender do terror". Um porta-voz da Casa Branca afirmou que havia entrado em contato com os israelenses para discutir o impacto humanitário da ofensiva, apelidada por Israel de "Operação Arco-Íris". Segundo ele, o objetivo da ação é impedir o contrabando, não destruir casas.

Foi o maior número de palestinos mortos num único dia desde maio de 2002, quando uma ação militar na região de Khan Younis, próxima dali, deixou 23 mortos.

O necrotério de Rafah ficou tão lotado que, segundo médicos, cinco corpos tiveram que ser colocados em freezers para alimentos em um mercado próximo.

A violência vem aumentando em Gaza desde que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, propôs a retirada unilateral dos colonos judeus da Faixa da Gaza. O plano teve boa aceitação nos EUA e entre os israelenses, mas foi combatido pelos radicais de direita do partido de Sharon, o Likud.

Para os grupos militantes, qualquer retirada israelense dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, será uma vitória, mas o Exército de Israel está determinado a anular a ação desses grupos antes da desocupação.

Para analistas, foi a maior reunião de forças de Israel em Gaza desde que o território foi ocupado, há 37 anos. A ofensiva acontece uma semana depois da morte de 13 soldados israelenses na Faixa de Gaza em duas emboscadas, na maior baixa do Exército de Israel em dois anos.

Sete dos palestinos mortos na terça-feira foram alvejados por helicópteros antes do início do ataque por terra. Pelo menos três deles eram atiradores, e um era civil. Outros palestinos morreram durante as batalhas campais. Entre os mortos estão dois adolescentes que alimentavam pombos sobre um telhado, de acordo com o relato de testemunhas.

Dezenas de pessoas ficaram feridas nos ataques aéreos.

"Apelamos ao mundo inteiro que intervenha imediatamente para encerrar a escalada militar de Israel," disse o ministro palestino Saeb Erekat.

Para o chefe do Exército de Israel, general Moshe Yaalon, "Rafah se tornou uma porta de entrada para o terror, através da qual passam granadas lançadas por foguetes e outras armas. Depois de ter tentado convencer as autoridades palestinas a pôr fim a essa atividade, fomos forçados a preveni-la nós mesmos."

Em um relatório, a Anistia Internacional acusou Israel de destruir mais de 3.000 casas durante o levante palestino, que começou em 2000. Segundo o documento, as demolições são "punitivas" na maioria dos casos, e são feitas sem aviso prévio aos moradores.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel respondeu dizendo que só são destruídas as construções usadas como depósito de armas ou que escondam túneis para o contrabando.

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