Homens da tropa de elite da Polícia Militar ajudaram na ocupação armada do complexo de favelas da Maré
A população do Complexo da Maré aplaudiu a chegada das forças de segurança, que ocuparam o conjunto de 15 favelas, onde moram cerca de 120 mil pessoas. O relato é do comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, coronel André Vidal, que participou da operação, iniciada às 5h deste domingo. O batalhão ocupou quatro comunidades: Vila Pinheiro, Baixa do Sapateiro, Vila do João e Parque Boa Esperança, todas até então comandadas por uma facção criminosa.
O oficial falou após a cerimônia de hasteamento das bandeiras do Brasil, do estado do Rio e do próprio batalhão, em uma praça ao lado do Morro do Timbau.
– O objetivo primeiro foi a tomada pacífica do terreno, sem risco para os moradores. A população nos recebeu com palmas e sorrisos. É só olhar em volta e ver – disse o oficial.
André Vidal pediu apoio dos moradores com informações que possam levar à apreensão de armas e drogas, além da localização de criminosos. Segundo ele, a população não precisa ficar com medo, pois a operação é definitiva.
– Não é só uma ocupação de força, é uma ocupação social. Espero que os próximos governantes mantenham isso. A polícia veio para ficar, só sairemos com a chegada do Exército – afirmou o coronel Vidal.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que deverá deixar o cargo nas próximas horas para se candidatar a uma cadeira no Senado, afirmou aos jornalistas, em seguida, que a ação, a dois meses e meio da Copa do Mundo, foi uma resposta aos criminosos.
– Nos últimos três meses fomos provocados e intimidados pelo poder paralelo que queria enfraquecer uma política de pacificação extremamente vitoriosa – acredita.
Sem qualquer reação por parte dos traficantes, o complexo de favelas foi ocupado em apenas 15 minutos. A área deverá receber a 39ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio.
– Há 80% das cidades brasileiras que não possuem o número de habitantes da Maré, com mais de 120 mil moradores. É uma cidade dentro da cidade. As pessoas que estão lá são gerações e gerações acostumadas a acordar de manhã e ver um bandido de fuzil. Hoje essa ocupação é sinônimo de paz – acrescentou.
Cabral, dessa vez, agradeceu a presidente Dilma Rousseff pela rapidez com que mobilizou as Forças Armadas.
Clima tranquilo
A ocupação armada ao complexo da Maré teve a participação de 1.180 homens de batalhões especializados da Polícia Militar, além de 132 policiais civis, com apoio de 21 blindados da Marinha, que seriam utilizados para romper barricadas nas ruas, o que não ocorreu efetivamente. A operação contou com o apoio aéreo de aviões não tripulados das Forças Armadas e da Polícia Federal.
Na Vila do João, bairro do complexo o clima era de tranquilidade e desconfiança por parte dos moradores, na manhã deste domingo. Parte dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) utiliza óculos com câmeras de visão noturna, capazes de filmar as ações de combate até mesmo durante a noite. Os blindados iniciaram a ocupação na frente das tropas, mas tiveram dificuldade no acesso por conta da grande quantidade de carros estacionados nas vielas.
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