Ocidente seguirá com ataque à Líbia até Gaddafi obedecer à ONU
Os ataques da coalizão internacional seguirão enquanto o regime líbio do ditador Muammar Gaddafi se recusar a obedecer às exigências da Organização das Nações Unidas (ONU). A afirmação é da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, após a reunião de cerca de 40 países sobre as direções políticas que devem ser adotadas no país. Entre as medidas principais está o fim imediato dos ataques aos civis.
Os ataques da coalizão internacional seguirão enquanto o regime líbio do ditador Muammar Gaddafi se recusar a obedecer às exigências da Organização das Nações Unidas (ONU). A afirmação é da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, após a reunião de cerca de 40 países sobre as direções políticas que devem ser adotadas no país. Entre as medidas principais está o fim imediato dos ataques aos civis.
As forças do Ocidente seguirão com os bombardeios "até que Gaddafi cumpra plenamente os termos da (resolução da ONU) 1973, cesse seus ataques contra os civis, retire suas tropas dos lugares onde entraram por meio da força e permita a todos os civis receber ajuda humanitária e serviços básicos", declarou a chefe da diplomacia norte-americana. Além das inúmeras investidas contra os civis, Gaddafi é acusado de manter cidades como Misrata, no oeste, cercadas por suas tropas e sem acesso à energia elétrica, água e serviços de telecomunicações há semanas.
Hillary ainda acredita ser necessário aumentar a pressão sobre o regime, até que o ditador renuncie ao poder.
– Todos nós precisamos continuar aumentando a pressão e o isolamento do regime de Gaddafi através de outros meios também. Isto inclui uma frente unificada de pressão política e diplomática que deixe claro a Gaddafi que ele precisa renunciar – acrescentou.
Confrontos armados
Rebeldes e tropas leais a Gaddafi ainda se enfrentavam em solo líbio, enquanto os países e organismos regionais reuniam-se nesta terça-feira na capital britânica para o primeiro encontro do grupo de contato sobre a Líbia, responsável pela administração política da operação internacional, cujo comando militar passou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e que pretende preparar a era "pós-Gaddafi". A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, se reunirá também nesta terça-feira com um dos líderes da oposição líbia, Mahmud Jibril, à margem da conferência.
Hillary e Jibril, responsável pelas relações internacionais no Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, já se encontraram em Paris no dia 15 de março, à margem de uma reunião informal do G8. Na ocasião, conversaram sobre uma possível ajuda econômica e política à oposição líbia. Jibril se reuniu mais cedo com o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, que convidou a autoridade provisória da oposição líbia à capital britânica, mas não à conferência.
– O CNT é um interlocutor político importante e legítimo. O Reino Unido está comprometido a fortalecer os contatos com um amplo leque de membros da oposição que estão trabalhando para criar uma Líbia na qual seja possível cumprir as aspirações legítimas de seu povo – disse Hague.
O ministro britânico informou em um comunicado que examinou com Jibril a "situação política e humanitária no país", após dez dias de operações militares da coalizão internacional amparada pela resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.
– Concordamos na importância absoluta de proteger e salvaguardar os civis na Líbia – declarou.
Recuo caótico
O exército ainda leal ao ditador líbio enfrentou os combatentes rebeldes com metralhadoras e foguetes, nesta manhã (horário local), e os levou a um recuo caótico e em pânico para a cidade de Bin Jawad, disseram testemunhas. Em Trípoli, Gaddafi pediu nesta terça-feira à coalizão internacional o fim dos ataques contra suas forças. A operação Aurora da Odisseia, iniciada no último dia 19, ampliou nos últimos dias os ataques contra as forças de Gaddafi e bombardearam nesta segunda-feira Sirte – mais recente núcleo da batalha.
Em meio ao ataque, rebeldes tentavam se esconder atrás de sacos de areia, usados como trincheira para enfrentar seus concidadãos. Após alguns minutos, contudo, eles desistiram, entraram em suas picapes e tomaram a estrada em direção a Bin Jawad, a cerca de 150 quilômetros a leste da cidade natal de Gaddafi, Sirte. Disparos de artilharia caiam na estrada enquanto os rebeldes recuavam, segundo testemunhas consultadas pela agência inglesa de notícias Reuters.
– As tropas de Gaddafi estão no Vale Vermelho e, dali, estão bombardeando os rebeldes, que retrocederam à área de Bin Jawad – disse o porta-voz dos rebeldes Ahmad Khalifa, em entrevista coletiva em Benghazi.
Segundo Khalifa, as forças do ditador usaram foguetes Katyusha para impedir o avanço dos rebeldes, que estavam apenas 30 quilômetros a leste de Sirte, na localidade de Sittar.
– O bombardeio obrigou os rebeldes a voltar a Bin Jawad. Não significa que agora os revolucionários avancem mais lentamente. Na verdade eles vão bastante rápido, mas agora estão revisando suas táticas e defesas (em Bin Jawad) para poder se movimentar mais tarde – disse o porta-voz dos rebeldes.
Khalifa afirmou que agora é perigoso se aproximar de Sirte, porque as forças pró-Gaddafi disseminaram minas nos arredores. Os rebeldes seguiam enfrentando as forças do ditador em Nafauliya, cerca de 15 quilômetros a oeste de Bin Jawad.
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