Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Ocidente confunde Irã com "satã", diz assessor especial de Lula

Assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta terça-feira, na capital espanhola, que alguns governos não estão dispostos a acreditar em um acordo nuclear com o Irã porque acham que o país “é satã”. (Leia Mais)

Terça, 18 de Maio de 2010 às 08:39, por: CdB

Assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta terça-feira, na capital espanhola, que alguns governos não estão dispostos a acreditar em um acordo nuclear com o Irã porque acham que o país “é satã”. Segundo ele, essa é a causa do ceticismo que domina parte da comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos.

– O ceticismo não é daqueles (países) que são céticos, mas daqueles que não querem que haja acordo. A minha impressão é que determinados países esperam que as sanções mudem a situação interna do Irã. É uma hipótese profundamente equivocada – afirmou Garcia, que participa da 6ª Cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, nesta capital.

Para Garcia, não há problemas no fato de o Irã pretender manter o enriquecimento do urânio a 20% no seu território apesar do acordo. Segundo parte da comunidade internacional, isso causa desconfianças em relação ao cumprimento do acordo.

– Se as sanções fossem votadas, a Rússia iria votar uma sanção deste 'tamanhozinho' (disse ao gesticular com os dedos indicador e polegar quase juntos). A China não fala, mas sabemos que iria também nessa direção – disse o assessor, referindo a dois dos cinco integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas – integrado também pelos Estados Unidos, pela França e Inglaterra.

O assessor da Presidência disse que o acordo fechado com a mediação do Brasil é apenas o primeiro passo para alcançar um consenso internacional e que não há a sensação de que o assunto está completamente solucionado. Segundo Garcia, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, entendeu que o Brasil e a Turquia apresentaram "uma oportunidade” para que o Irã saísse do isolamento por meio de "interlocutores que não estavam lá para satanizá-los".

Segundo Garcia, o governo do Brasil desempenhou "um trabalho fantástico":

– (Mas) todo mundo tem que entender que o conflito não está resolvido.

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