Na Argentina, 151mulheres e meninas foram vítimas de feminicídios entre o dia 1º de janeiro e 30de junho de 2011. O dado consta no Relatório de Investigação de Feminicídios naArgentina, elaborado pelo Observatório de Feminicídios na Argentina "AdrianaMarisel Zambrano”, e coordenado pela Associação Civil "A Casa do Encontro”.
O documento foi construídocom base em notícias da Agência Nacional de Notícias da República Argentina(Telam) e da agência Diários e Notícias (DyN) e 120 jornais diários de circulaçãonacional ou local.
A cifra representa umaumento em relação ao mesmo período do ano passado, quando se registraram 126feminicídios e 6 feminicídios "vinculados” (quando o agressor, para agredir amulher, mata alguém próximo a ela ou que tentou impedir o feminicídio) dehomens e meninos. Ao todo, 2010 apresentou 260 casos.
Dentre as 151 vítimas noprimeiro semestre de 2011, 58 foram mortas pelo esposo, companheiro ou noivo e27 por ex-companheiro. Pais ou padrastos são responsáveis por 7 dos crimes,outros familiares, por 13, e houve 32 casos em que o assassino não tinhavínculo aparente com a vítima. Segundo o relatório, sete criminosos pertencemàs Forças Armadas.
Na faixa etária entre 31 e 50 anos, 55 mulheresforam assassinadas e entre os 19 e 30 anos, o número ficou em 42. 14 adolescentesde 13 a 18 anos foram vitimadas.
Entre os feminicidas, a faixa etária é bempróxima. 48 deles têm 31 e 50 anos, 34 têm entre 19 e 30 anos, 18 estão nafaixa entre 51 e 65 anos e 7 são adolescentes.
51 crimes ocorreram na moradia compartilhadaentre mulher e feminicida, e 35 ocorreram na casa da vítima. Na rua ou emoutros prédios foram registrados 37 casos.
42 mulheres morreram baleadas, 32 apunhaladas, 25golpeadas. Também houve casos de vítimas incineradas (19), asfixiadas (11),degoladas (9) e estranguladas (6), entre outras formas.
26 mulheres haviam denunciado que corriam perigoe 7 estavam em situação de prostituição.
A província que mais registrou feminicídios foiBuenos Aires, com 52. Santa Fé vem em segundo lugar, com 15 casos, seguida deCórdoba, com 12.
Perguntas a candidatos à presidência
Frenteaos muitos casos de feminicídio, o Observatório lança perguntas aospresidenciáveis que concorrerão nas eleições do dia 23 de outubro.
Nosquestionamentos, assuntos como incorporação da figura de feminicídio no CódigoPenal, que medidas tomariam, casos eleitos, para prevenir, sancionar eerradicar a violência contra as mulheres e incorporação da disciplina gênero eviolência em todos os níveis educacionais, entre outros temas.