Os funcionários que trabalham nas obras das usinas Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (RO), ameaçam interromper suas atividades a partir da próxima semana em busca de melhores condições de trabalho. De acordo com o administrador do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero), Anderson Machado, a greve deve começar a partir de quarta-feira.
– Buscamos uma reunião intermediada pelo Ministério Público do Trabalho para discutir o tema até terça-feira. Mas se não houver evolução, não está descartada a greve –, disse.
Machado explicou que os funcionários pedem a elaboração de uma nova convenção coletiva de trabalho, que divide a atividade da construção civil em Rondônia em quatro categorias. – A nossa proposta é de um detalhamento maior de todas as atividades, estabelecendo um novo piso salarial para cada função – , explicou.
O sindicato reivindica ainda um reajuste salarial de 10% e a concessão de benefícios como assistência médica e odontológica e o direito de visita a parentes que moram em outros estados.
O Sindicato da Construção Pesada do Estado de Rondônia (Sinicon) enviou esta semana uma contraproposta, abordando apenas a questão do aumento salarial.
– O sindicato patronal propôs um aumento de entre 7% e 8% com base na convenção trabalhista anterior, sem tocar nos demais itens da pauta de reivindicação. Essa proposta não chega perto da demanda dos trabalhadores –, afirmou Machado.
Segundo o presidente do Sinicon, Renato Lima, a proposta aborda apenas o reajuste salarial porque foi esse o acerto na negociação do ano passado. – No reajuste de 2008, concedemos uma série de benefícios aos trabalhadores. Com isso, ficou acertado que as discussões deste ano apenas abordariam o reajuste salarial – , disse.
A data-base da categoria no estado é 1º de maio, o que não ocorreu este ano porque, na época, o Sticcero não possuía diretoria por estar sob intervenção da justiça. Lima afirmou à Agência Estado que o sindicato dos trabalhadores está exigindo salários dobrados para algumas funções, o que não seria possível cumprir nesse cenário de crise econômica.
As duas usinas somam 6,45 mil megawatts (MW) de potência e têm previsão para entrar em operação entre o final de 2011 e início de 2012.