A análise por computador de pinturas atribuídas no ano passado ao artista abstrato Jackson Pollock sugere que as 32 obras são falsas, anunciou a fundação Pollock-Krasner nesta quinta-feira. A fundação, criada a partir do testamento da viúva de Pollock, Lee Krasner, enviou seis pinturas para serem testadas pelo professor Richar Taylor, do departamento de Física da Universidade do Oregon. Segundo Taylor, o estudo apontou "diferenças significativas no padrão das seis pinturas ... (e) das obras de Pollock analisadas anteriormente".
Na última década, Taylor vem examinando telas de Pollock por meio da análise fractal, uma técnica que procura padrões geométricos recorrentes, apesar do caos aparente das famosas pinturas de Pollock.
"Todas as telas de Jackson Pollock analisadas por minha equipe de pesquisa são compostas de padrões fractais muito específicos e identificáveis", escreve Taylor no relatório divulgado pela fundação. "A assinatura fractal de Pollock não foi encontrada nas obras submetidas. A análise revelou ainda que o padrão varia entre as pinturas, indicando que elas devem ter sido feitas por pessoas diferentes", continua o relatório.
O historiador de arte Francis O'Connor, que lidera a investigação, disse que o resultado da análise "reforça meu ceticismo e reserva em relação às pinturas".
- A documentação histórica não oferece nenhuma prova conclusiva de que obras ainda não conhecidas possam ser atribuídas a Pollock - declarou O'Connor.
Segundo Charles Bergman, diretor da Fundação Pollock-Krasner, a investigação continuará até que se possa tomar uma decisão final sobre a autenticidade das pinturas. Em maio do ano passado, Alex Matter, um cineasta que conheceu Pollock na infância, disse ter encontrado as pinturas entre os pertences de seus pais, já falecidos, que também conheciam Pollock.
Segundo ele, as obras ficaram quase três décadas num depósito em East Hampton, Long Island, não muito longe de onde Pollock mantinha seu estúdio e onde foi morto, num acidente de carro, em 1956.
O preço mais alto já pago num leilão por uma obra de Pollock foi 11,65 milhões de dólares, em 2004. Quando anunciou sua descoberta no ano passado, Matter disse que havia encontrado as pinturas dois anos antes, mas havia esperado até que sua autenticidade fosse provada.
Segundo ele, as obras foram consideradas autênticas por Ellen Landau, uma historiadora especializada em Pollock que já foi curadora de exposições do pintor norte-americano.