Depois de afirmar que se sentiu "energizada" com a vitória no Texas, a senadora Hillary Clinton voltou a perder para o outro pré-candidato à Casa Branca. O senador Barack Obama colheu, no Mississipi, a maior parte dos votos afro-americanos e acumula 26 vitórias até agora.
Com quase todos os votos apurados, Obama contabilizava 59% dos votos e a rival Hillary Clinton, 49%. Pesquisas de boca-de-urna indicam que Obama, que poderá ser o primeiro presidente negro norte-americano, colheu boa parte do grande número de votos afro-americanos.
O Mississippi oferece um total de 33 delegados para a convenção nacional democrata de agosto, em Denver, no Estado do Colorado, quando o partido democrata escolherá o seu candidato.
Em entrevista à rede CNN, Obama agradeceu ao apoio maravilhoso que recebeu dos eleitores do Mississippi.
- O que tentamos fazer é constantemente garantir que, em cada Estado, demonstremos a necessidade de mudança neste país, e obviamente o povo de Mississippi respondeu - disse Obama à rede.
Com a conquista, Obama passa a acumular um total de 26 vitórias, contra 16 da senadora Hillary Clinton, sua rival na disputa para ser o candidato democrata para a Casa Branca. O senador conta agora com 1579 delegados, enquanto Hillary reúne 1473.
Para se sagrar o candidato do partido, um dos pré-candidatos necessita de um total de 2025 delegados. Nenhum dos dois deverá alcançar esse número, o que poderá levar a disputa a ser decidida pelos chamados superdelegados, um grupo de notáveis do Partido Democrata formado por desde ex-presidentes, como Jimmy Carter e Bill Clinton, até prefeitos, congressistas e gerentes de campanha.
Renascimento
A despeito da derrota desta terça, Hillary conseguiu no último dia 4 de março, ao menos momentaneamente, conter a crescente projeção de Obama. Na ocasião, a campanha da senadora vinha sendo dada como morta e a indicação de Obama como o candidato democrata já era dada como certa. As conquistas da senadora no Texas, em Ohio e em Rhode Island contiveram o avanço do senador e fizeram renascer a sua campanha.
Tanto Hillary como seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, e sua filha, Chelsea Clinton fizeram campanha no Mississippi, mas uma vitória de Obama no Estado já era aguardada. A senadora passou a última terça no Estado da Pensilvânia, que realiza a sua primária no próximo dia 22 de abril.
Entre as próximas etapas da corrida eleitoral, a Pensilvânia é o Estado que oferece o maior número de delegados, um total de 158.
Polêmica
No mesmo dia em que um dos Estados americanos com o maior número de eleitores afro-americanos foi às urnas, a campanha de Hillary Clinton se viu envolvida em uma polêmica ligada à questão racial.
Geraldine Ferraro, a primeira mulher a concorrer à vice-presidência dos Estados Unidos, em 1984, e que integra a campanha de Hillary, afirmou, em uma entrevista, que se Obama ''fosse um homem branco, ele não estaria na atual posição''. E acrescentou:
- E se ele fosse mulher, ele não estaria nessa posição. Acontece que ele tem muita sorte de ser quem é - acrescentou.
Hillary Clinton disse lamentar os comentários e afirmou que não concordava com eles. Obama qualificou as afirmações de Geraldine Ferraro como ''absurdas'' e seus correligionários exigiram que ela seja afastada da campanha de Hillary.
Obama acusou a senadora de ambiguidade por se recusar a repreender Ferraro e por ainda não tê-la removido de sua posição de financiadora da campanha.
Na semana passada, Samantha Power, que assessorava Obama em temas de política internacional, pediu demissão após um jornal escocês ter publicado um comentário feito por ela, segundo o qual Hillary Clinton era ''um monstro'', capaz de tudo para obter a indicação democrata. Sobre os dois casos Obama afirmou:
- Eu esperaria que, da mesma forma que esse