Sem maioria na Câmara dos Representantes - perdida para o Partido Republicano na eleição do ano passado - e acuado pela direita republicana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (Partido Democrata) já está em campanha por sua reeleição no ano que vem. Assim, toda a sua política, inclusive a externa - vejam, por exemplo, a sobre a Palestina - já está dirigida pelos seus interesses eleitorais.
Daí, discursos como este dele, ontem, em audiência com cidadãos, promovida pela rede social profissional LinkedIn em Mountain View, na Califórnia, quando afirmou que o Ato de Empregos Americanos (American Jobs Act), seu plano de geração de empregos, se aprovado pelo Congresso poderá gerar um "efeito cascata" suficiente para iniciar a recuperação econômica do país.
Por isso, citou estatísticas, segundo ele, de economistas independentes, pelas quais o programa pode criar 1,9 milhão de empregos e acrescentar cerca de 2% ao PIB americano. E, ao mesmo tempo, reconheceu que o plano não vai resolver todos os problemas econômicos do país, especialmente no mercado de habitação, justo a área detonadora da grande crise.
Crise e paz agora dependem de política interna dos EUA
Dessa forma, está coberto de razão o jornalista Vladimir Safatle, quando afirma em Teológico-político, seu artigo de hoje na Folha de S.Paulo: "Desde que assumiu o poder, o presidente Obama reiterou sua disposição em lutar por um Estado palestino. Meses atrás, afirmou que a negociação sobre tal Estado deveria partir das fronteiras definidas pela ONU em 1967. Tudo isso não passou de palavras vazias".
Tem razão. Obama agora renega tudo e se posiciona radicalmente contra a inclusão do Estado palestino nas Nações Unidas. E já tornou público que os EUA usarão o poder de veto para rejeitá-la no Conselho permanente de Segurança da ONU.
Enfim, essa mudança de discurso que resulta hoje no fato de Obama ter meramente retórica a oferecer em sua tentativa de conseguir a reeleição é uma tragédia em se tratando do chefe do governo do pais mais importante do mundo.
Assim, tanto a crise europeia como a paz no Oriente Médio, ficam na dependência da politica interna dos EUA visando as eleições de novembro do ano que vem, e de um presidente que, no momento, só busca e pioriza sua reeleição.
Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026
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