Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Obama reitera que China é parceira vital dos EUA, mas há tensões no ar

Os Estados Unidos veem a China como um parceiro vital e um competidor, mas os dois países podem ter "enormes tensões" nas suas relações se não resolverem os desequilíbrios econômicos existentes, disse o presidente norte-americano, Barack Obama. (Leia Mais)

Terça, 10 de Novembro de 2009 às 09:52, por: CdB

Os Estados Unidos veem a China como um parceiro vital e um competidor, mas os dois países podem ter "enormes tensões" nas suas relações se não resolverem os desequilíbrios econômicos existentes, disse o presidente norte-americano, Barack Obama. A dois dias de embarcar para uma viagem de nove dias pela Ásia, Obama disse que as duas nações mais poderosas do mundo precisam trabalhar juntas na resolução das grandes questões mundiais, e que a concorrência entre elas precisa ser justa e amistosa.

– Em questões críticas, seja mudança climática, recuperação econômica ou não-proliferação nuclear, é muito difícil ver como nós teremos sucesso ou a China terá sucesso nas suas respectivas metas sem colaborarmos – afirmou ele em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters, no Salão Oval da Casa Branca.

Ele alertou que nas últimas décadas as relações econômicas bilaterais ficaram "profundamente desequilibradas" por causa da gigantesca disparidade comercial e do grande acúmulo de títulos da dívida norte-americana por Pequim. Obama disse que levará aos líderes chineses a delicada questão da cotação do iuan --que empresas dos EUA consideram estar muito desvalorizado, o que beneficia artificialmente as exportações chinesas.

– Conforme saímos de uma situação de emergência, uma situação de crise, acredito que a China estará cada vez mais interessada em encontrar um modelo que seja sustentável em longo prazo. Há uma enorme quantidade de dólares que eles estão acumulando, então nosso sucesso é importante para eles. O outro lado disso é que, se não resolvermos esses problemas, acho que tanto econômica quanto politicamente isso irá gerar enormes tensões sobre a relação – disse ele.

Os EUA têm tentado convencer a China a estimular o consumo interno, o que ampliaria mercados para produtos norte-americanos. Ao mesmo tempo, Washington promete reduzir o seu endividamento. O G20 (bloco de países ricos e emergentes) decidiu em setembro na sua cúpula de Pittsburgh buscar políticas que atenuem os desequilíbrios econômicos. Obama disse que uma das metas da sua viagem é ampliar esse acordo.

Abertura de mercados

O governo Obama resiste à pressão interna para acusar formalmente a China de manipulação cambial, mas já impôs tarifas sobre pneus, canos e outros produtos chineses.

– Acho que nossos industriais teriam preocupações legítimas sobre nossa capacidade de vender para a China – disse Obama, enfatizando que o aumento das exportações é uma parte essencial do seu programa para a criação de empregos.

Obama tomou posse em janeiro, em meio à pior recessão das últimas décadas. Embora haja agora sinais de recuperação, o desemprego permanece alto, atingindo em outubro 10,2%, maior taxa em 26 anos.

O presidente acrescentou que a questão climática também será uma parte importante da pauta de seus encontros com o colega Hu Jintao, e disse que os dois países que mais emitem no mundo precisarão encontrar um terreno comum para que haja sucesso no encontro internacional de dezembro, em Copenhague, que irá definir um novo tratado contra o aquecimento global.

Ele defendeu que China e EUA definam posições básicas às quais outros países possam aderir.

– Continuo otimista de que entre agora e Copenhague poderemos chegar a esse marco – afirmou, acrescentando que irá à Dinamarca em dezembro se achar que isso ajudará no acordo.

Essa será a primeira visita de Obama à China, mas o terceiro encontro bilateral entre ele e Hu.

O governo Obama vem mantendo a política de seu antecessor, George W. Bush, que buscava um maior envolvimento da China nos assuntos globais. Em troca, Washington espera atitudes responsáveis de Pequim em temas como economia global e os programas nucleares de Irã e Coreia do Norte. Um dos efeitos dessa abordagem foi a decisão, tomada na cúpula do G20 em Pittsburgh, de que esse seja o principal fórum para a discussão de questões econômicas globais, substituindo o G8, do qual a China não participava.

Estabilidade do iuan

Em resposta ao que disse o presidente norte-americano, a China reafirmou nesta terça-feira sua política de manter a estabilidade do iuan em um nível razoável e equilibrado, após o presidente norte-americano, Barack Obama, afirmar que discutirá o câmbio quando visitar Pequim. Questionado sobre os comentários de Obama, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Qin Gang, disse que a China continuará incrementando o mecanismo do câmbio com uma visão de gradualmente tornar o iuan mais flexível.

Qin acrescentou que a China espera que os Estados Unidos, como a economia mais importante do mundo, persigam uma política fiscal estável para manter o dólar firme e garantir seu próprio crescimento e o de outras nações.

– Quero deixar claro que os Estados Unidos é a entidade econômica número um no mundo. Nós esperamos que... os Estados Unidos possam superar as dificuldades trazidas pela crise financeira internacional e, ao mesmo tempo, manter a sustentabilidade de sua política monetária no médio e longo prazos – afirmou em uma entrevista regular a jornalistas.

Obama também disse que os dois países têm o mesmo interesse de ajudar a reequilibrar a economia global, de modo a garantir um crescimento sustentável. Essa visão foi ecoada por Qin.

– Se você me perguntar como as relações entre os dois países estão agora, minha primeira resposta é: as economias da China e dos Estados Unidos estão relacionadas mutuamente, integradas, dependentes uma da outra e ficando mais próximas a cada dia – afirmou a autoridade chinesa.

Há, no entanto, tensões entre os dois países. O setor manufatureiro dos EUA reclama que Pequim mantém o valor do iuan artificialmente baixo para tornar as exportações mais baratas e os produtos norte-americanos mais caros aos consumidores chineses.

Alguns economistas dizem que isso provocu um desequilíbrios na economia mundial, por contribuir para grandes déficits comerciais nos EUA e superávit na China.

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