Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Obama promete apagar legado de Bush e McCain

Sexta, 29 de Agosto de 2008 às 06:43, por: CdB

O candidato democrata à Casa Branca Barack Obama lançou uma forte investida contra o rival republicano John McCain na quinta-feira (horário local), prometendo reverter os problemas econômicos dos últimos oito anos e restaurar a reputação dos EUA perante o mundo. Obama, o primeiro negro a concorrer à Casa Branca por um grande partido, ligou McCain diretamente ao presidente George W. Bush e disse que as fracassadas políticas republicanas foram responsáveis pelas incertezas econômicas dos EUA e um declínio da reputação global dos EUA.

– Nós estamos aqui porque amamos este país demais para permitir que os próximos quatro anos se pareçam exatamente com os últimos oito – disse Obama a uma multidão de cerca de 75 mil pessoas em um estádio de futebol americano em Denver, no ato em que aceitou sua nomeação na última noite da convenção democrata.

– Em 4 de novembro nós devemos nos levantar e dizer: 'oito é o suficiente – disse Obama.

Ele fez o maior pronunciamento de sua carreira no 45° aniversário do famoso discurso Eu tenho um sonho, de Martin Luther King, um marco no movimento dos direitos civis dos EUA.

O discurso de Obama deu o pontapé inicial na corrida de dois meses contra McCain pela vitória nas eleições de 4 de novembro.

McCain tentou tirar o foco do discurso de McCain durante o dia dizendo que havia escolhido o candidato republicano à vice-presidência. Ele deve anunciar o nome de seu companheiro de chapa na sexta-feira, em Ohio.

Obama disse que McCain, senador por Arizona, estava por fora das preocupações cotidianas dos norte-americanos e que ele havia sido "tudo, menos independente" em questões como economia, saúde e educação.

– Agora, eu não acredito que o senador McCain não se preocupe com as vidas dos americanos. Eu apenas acho que ele não as conhece – disse Obama, que havia conclamado alguns democratas a adotar uma linha mais dura contra McCain.

– O senador McCain gosta de falar sobre julgamento, mas, sério, o que se pode dizer sobre a sua capacidade de julgamento quando você acha que George Bush estava certo em 90 por cento do tempo? – questionou Obama, citando os registros dos votos de McCain no Senado.

– Eu não sei vocês, mas eu não estou pronto para aceitar 10 por cento de chances de mudança – disse ele.

A boa acolhida do discurso de Obama na TV deu ao senador por Illinois sua maior audiência nacional até o encontro com McCain no final de setembro, no primeiro de três debates contra seu oponente.

O discurso incluiu alguns dos mais diretos ataques de Obama a McCain desde que a corrida eleitoral começou. Obama, cujo patriotismo tem sido objeto de ataques na Internet, disse que os candidatos deveriam ser capazes de discordar sem atacar o caráter um do outro.

O país primeiro

– Eu tenho notícias para você, John McCain. Nós colocaremos nosso país em primeiro lugar – disse ele.

Obama, desde o início opositor à guerra do Iraque, prometeu "encerrar essa guerra de maneira responsável", mas disse que finalizaria a luta contra a Al Qaeda no Afeganistão e que usaria o poderio militar dos EUA se necessário.

O democrata, criticado por ter um discurso sublime mas sem propostas específicas, expôs uma ambiciosa agenda doméstica que inclui cortes de impostos para 95 por cento da população e o fim da dependência do petróleo do Oriente Médio em dez anos.

O discurso de Obama encerrou um ensolarado dia de celebração e performances musicais de cantores como Stevie Wonder e Sharril Crow. Quando ele começou a falar, quase todos os assentos e todo o campo de futebol estavam tomados.

O ex-vice-presidente Al Gore, Prêmio Nobel e vencedor do Oscar que perdeu uma disputada eleição contra Bush em 2000, também discursou no evento e disse que as coisas teriam sido muito diferentes caso ele tivesse vencido.

O último candidato presidencial a aceitar uma nomeação em um estádio de futebol havia sido John Kennedy, que falou na convenção democrata em Los Angeles diante de 80 mil pessoas em 1960.

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