Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Obama perde a paciência e diz aos republicanos: "Parem com essa farsa"

Ao entrar no terceiro dia nesta quinta-feira, a paralisação do governo dos Estados Unidos provoca preocupação com o risco de consequências maiores, e o presidente Barack Obama desafiou os republicanos a "parar com essa farsa" e permitir um voto direto no projeto sobre o financiamento público.

Sexta, 04 de Outubro de 2013 às 09:01, por: CdB
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Barack Obama
Ao entrar no terceiro dia nesta quinta-feira, a paralisação do governo dos Estados Unidos provoca preocupação com o risco de consequências maiores, e o presidente Barack Obama desafiou os republicanos a "parar com essa farsa" e permitir um voto direto no projeto sobre o financiamento público. As duas partes permanecem firmes em suas posições no impasse, desencadeado pelas ações dos republicanos para barrar as reformas de Obama no setor de saúde, chamadas de "Obamacare". Cresce o temor de que a crise vá se juntar com uma disputa mais complexa prevista para o fim do mês sobre a elevação do teto do endividamento do governo federal, e que isso possa impedir quaisquer tentativas de encerrar a paralisação antes de meados de outubro. Obama disse haver número suficiente de republicanos dispostos a aprovar imediatamente a legislação sobre gastos se o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, permitir a votação da lei de financiamento sem vinculá-la a condições de cunho partidário. Mas Obama afirmou que Boehner se recusa a fazer isso porque "ele não quer irritar os extremistas de seu partido". – Minha mensagem simples hoje é: 'marque a votação'. Coloque em votação. Parem com essa farsa, e encerre esta paralisação imediatamente – disse Obama em um discurso em uma construtora no Estado de Maryland. Obama alertou que por mais dolorosa que seja a paralisação do governo, um calote causado pelo fracasso em elevar o limite do endividamento seria muito pior para a economia como um todo. O porta-voz de Boehner disse que o presidente da Câmara sempre "disse que os Estados Unidos não vão deixar de honrar os seus débitos". – Ele também sempre disse que não há na Câmara votos para aprovar uma lei 'completa' sobre o limite de endividamento. É por isso que precisamos de uma lei com cortes e reformas – declarou o porta-voz. Embora alguns republicanos moderados tenham começado a questionar a estratégia de seu partido, até o momento Boehner tem mantido a bancada amplamente unida em torno de um plano que propõe uma série de pequenas leis para a reabertura de partes seletivas do governo mais afetadas pela paralisação. Os democratas rejeitaram essa abordagem fragmentada. O Tea Party Express, um dos grupos que combatem impostos dentro do grupo conservador Tea Party – a ala mais radical do Partido Republicano – enviou na quarta-feira um email a seus partidários dizendo que pelo menos 12 republicanos indicaram estar dispostos a ceder e se unirem aos democratas na votação de uma lei de custeio do governo sem a imposição de condições. Eles pediram que os eleitores pressionassem os "republicanos fracos" a evitar a aprovação do plano de saúde de Obama e a concessão de recursos para o governo federal. Viagem cancelada O impasse entre democratas e republicanos, no Congresso, já representa um prejuízo para os EUA no Pacífico. O país, que vive tentando manter uma posição hegemônica na Ásia, diante do aumento do poderio chinês na região, ficará de fora de dois eventos estratégicos. Obama cancelou a viagem em que participaria de duas cúpulas internacionais devido à paralisação do governo norte-americano, levantando dúvidas sobre a mudança estratégica de eixo dos EUA para a região, anunciada há apenas dois anos. Obama tinha planejado partir no sábado para uma viagem de uma semana a quatro países. Ele cancelou visitas à Malásia e às Filipinas no início desta semana por causa do impasse orçamentário no Congresso dos EUA, e disse na noite de quinta-feira que não compareceria a cúpulas regionais na Indonésia e em Brunei. O impasse político sobre o orçamento norte-americano paralisou serviços estatais não essenciais e parece provável que se arrastasse por mais uma semana ou mais. Outra crise se aproxima em duas semanas, quando os parlamentares devem decidir se vão aumentar o limite de endividamento do governo norte-americano, atualmente em 16,7 trilhões de dólares. "O presidente tomou essa decisão baseado na dificuldade em seguir adiante com uma viagem ao exterior frente à paralisação, e sua determinação de continuar insistindo em seu caso de que os republicanos deveriam permitir imediatamente uma votação para reabrir o governo", disse a Casa Branca, em nota. Estavam programados encontros de Obama com o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, entre outros líderes, nas cúpulas. Duas de suas principais metas eram discutir a crise síria com Putin e negociar um código de conduta marítima para territórios em disputa na região rica em gás e petróleo no mar do Sul da China. – Estamos desapontados. Acho que a cúpula vai acontecer, há um plano a longo prazo. (Mas) sem Obama dá para imaginar como estamos desapontados. Dificilmente poderíamos imaginar que ele não viesse – disse o ministro da Informação da Indonésia, Tifatul Sembiring, na ilha de Bali, sede da cúpula da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico no domingo. Obama também deveria comparecer à Cúpula do Sudeste Asiático, organizada pela Associação das Nações do Sudeste Asiático em Brunei na próxima semana. Xi, que visitava a Malásia na sexta-feira, não comentou a decisão de Obama. Mas analistas disseram que o não comparecimento do presidente norte-americano seria uma vantagem para a China. – Embora sua decisão seja perfeitamente compreensível, projeta uma imagem enfraquecida da América como um país que é politicamente inepto e à beira de outra crise econômica. Enquanto isso, a autoconfiante e rica China terá o palco para si – disse Ian Storey, analista do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático, em Cingapura. Obama adiou duas vezes visitas a Indonésia e Austrália em 2010 por causa da lei da reforma no sistema de saúde e por causa do derramamento de petróleo no Golfo do México.
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