Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Obama foge de tom conciliatório e ataca Hillary

Em um evento realizado no domingo à noite no Indiana Convention Center, em Indianápolis, o Partido Democrata americano tentou mostrar coesão e passar a mensagem de que permanece unido, a despeito da longa e cada vez mais tensa campanha entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama. (Leia Mais)

Segunda, 05 de Maio de 2008 às 06:30, por: CdB

Em um evento realizado no domingo à noite no Indiana Convention Center, em Indianápolis, o Partido Democrata americano tentou mostrar coesão e passar a mensagem de que permanece unido, a despeito da longa e cada vez mais tensa campanha entre os senadores Hillary Clinton e Barack Obama.

Foi esse o tom de boa parte dos discursos realizados na cerimônia, entre eles o da própria Hillary. Mas enquanto a senadora adotou um tom conciliatório, seu rival jogou críticas bastante diretas às suas posturas e a algumas de suas propostas.

Obama atacou o projeto defendido pelo candidato republicano John McCain e apoiado por Hillary de suspender, durante o verão americano, um imposto cobrado pelo governo federal sobre gasolina.

'— A resposta que está sendo dada por alguns é temporária, um indulto a um imposto sobre gasolina que seria adotado durante o verão, que é o mesmo que John McCain defende. Isso só economizaria US$ 0,30 por dia —, disse o senador.

Obama acrescentou que a proposta parece ''um gesto de políticos que buscam acertos até a próxima eleição, em vez de soluções verdadeiras''.

Obama e Hillary disputam, nesta terça-feira, eleições primárias nos Estados de Indiana e Carolina do Norte.

Promessas

O senador também fez referência à suposta tendência de Hillary de fazer promessas que não sabe se poderá cumprir, com o mero intuito de atrair eleitores.

— Eu gostaria de poder prometer que já no primeiro dia eu aprovaria cada plano e cada proposta, as o meu palpite é que você já ouviu isso antes' —, afirmou, arrancando aplausos da platéia.

O recado pareceu claro, uma vez que Obama subiu ao palco logo em seguida a Hillary, que realizou um discurso recheado de promessas.

A pré-candidata afirmou que vai cobrar das companhias petrolíferas os US$ 55 bilhões que elas teriam tido de indulto durante a gestão de George W. Bush e oferecer essa mesma quantia em isenções de impostos para a classe média.

A senadora também afirmou que pretende ''jogar duro com a China''. ''Quando eu for presidente, a China voltará a ser tratada como uma parceira. Nós promovemos livre comércio, mas o tratamento não é recíproco. É hora de dizer basta.''

Bandeira branca

Em outras passagens de seu pronunciamento, Hillary acenou com gestos de paz para com o rival.

— Nós fomos abençoados ao longo de diferentes gerações por homens e mulheres que viam os Estados Unidos como o país que poderia e deveria ser. Graças a eles, agora eu e o senador Obama estamos aqui neste palco. Graças a eles, a próxima geração dá como fato que uma mulher ou um afro-americano poderão ser o próximo presidente dos Estados Unidos —, disse.

Os momentos mais conciliatórios no discurso de Obama foram escassos. Em um deles ele lembrou de mazelas que atingiram a sua campanha, como as frases controvertidas de seu ex-pastor, o reverendo Jeremiah Wright, comparando-as a um relato feito por Hillary de que ela desembarcou na Bósnia, em 1996, como primeira-dama, sob tiros de franco-atiradores.

— Esta eleição é maior do que tiros de franco-atiradores ou os comentários do ex-pastor —, afirmou.

— Estou convencido que a senadora Clinton e eu compartilhamos de alguns dos mesmos valores que vocês, sobre o que o Partido Democrata deve representar' —, comentou o senador.

A favor ou contra

O senador Evan Bayh, um dos mais fortes correligionários de Hillary em Indiana, comentou que seu apoio à senadora não representa que ele é contra Barack Obama.

O presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, Howard Dean, afirmou que ''esta eleição não é sobre Hillary Clinton ou Barack Obama. É sobre restaurar a autoridade moral de nosso país''.

Obama brincou com a longa duração da campanha presidencial, que já dura 15 meses - ''um período que permite a um bebê nascer e até a começar a falar'' - e sobre os contratempos que

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