O pré-candidato democrata Barack Obama realizou, na terça-feira, um discurso sobre temas raciais, no qual abordou a polêmica em torno de recentes declarações de um pastor religioso ao qual foi ligado. O discurso foi proferido em um prédio histórico da Filadélfia.
Obama usou o evento para reafirmar a postura inicial de sua campanha de transcender as questões raciais e unir o país. A questão do preconceito racial vem surgindo freqüentemente na campanha nas últimas semanas e são particularmente relevantes na disputa democrata deste ano já que, caso Obama seja eleito, será o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Já Hillary seria a primeira mulher a ocupar o cargo. Para Obama, no entanto, isso afasta a atenção dos temas realmente importantes para a campanha.
Obama ficou até tarde escrevendo o discurso, no domingo, e um assessor ressaltou o forte elemento pessoal, com muito da personalidade do pré-candidato no texto. Grande parte do discurso girou em torno da polêmica gerada pelos comentários do reverendo Jeremiah Wright, que foi pastor da igreja que Obama frequenta há 20 anos e que também é tido como seu conselheiro espiritual e considerado pelo candidato "um velho tio".
Em sermões, que foram amplamente divulgados pela Internet, Wright se referiu aos atentados de 11 de setembro de 2001 como atos de vingança contra a política externa norte-americana. Ele também acusou o governo dos EUA de ser a fonte do vírus da Aids e e afirmou que o país é fundamentalmente racista.
Obama criticou as declarações do pastor, e Wright, que oficiou o casamento de Obama com sua esposa e batizou as duas filhas do casal, abandonou a função de conselheiro espiritual da campanha.
Para Obama a polêmica sobre o pastor ameaça ofuscar seu objetivo maior que é transcender as divisões raciais. Ele acredita que estas discussões se prolongam e que precisam ser logo superadas para que os eleitores foquem no que é verdadeiramente importante para a escolha do candidato democrata.
- Eu diria que isso tem sido uma distração da mensagem central da nossa campanha. Acho que parte do que tem sido a essência da minha política, não só desta campanha, mas da minha vida, é a idéia de que temos de unir as pessoas - disse Obama, que costuma destacar o fato de ser filho de uma mulher branca do Kansas com um negro do Quênia.
A questão racial vem permeando a campanha dos democratas e ambos se acusam de continuar trazendo o assunto à tona, apesar dos discursos dos candidatos não pretenderem se focar neste ponto.
Na semana passada, a ex-candidata a vice-presidente, Geraldine Ferraro, primeira mulher a concorrer ao cargo, em 1984 e que apóia Hillary, disse que Obama só conseguiu a liderança na disputa democrata porque é um homem negro. Suas declarações geraram muita repercussão e crítica da opinião pública norte-americana.
Hillary também teve que enfrentar acusações por conta de uma declaração de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, que comparou, em janeiro, a vitória de Obama na eleição primária da Carolina do Sul ao triunfo obtido em 1984 e 1988 por outro pré-candidato negro, Jesse Jackson, que não conseguiu ir além dessa vitória parcial.
Críticos viram nesses comentários uma tentativa de marginalizar a candidatura de Obama, identificando-a apenas com o eleitorado negro.