Impaciente com a demora do Congresso, o presidente dos EUA, Barack Obama, fará nesta segunda-feira um ato público em Indiana e concederá a primeira entrevista coletiva do seu mandato, para tentar apressar a aprovação de um pacote de US$ 800 bilhões para estimular a economia.
O pacote já foi aprovado na Câmara e deve ser votado esta semana no Senado. Diante da demora, e para não desviar as atenções, o governo adiou um pacote de resgate bancário que o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, deveria anunciar na terça-feira.
O pacote da Câmara prevê um estímulo governamental de US$ 819 bilhões para a economia; já o pacote do Senado prevê US% 827 bilhões. Há divergências entre as duas versões a respeito de gastos públicos e reduções fiscais, e conciliá-las pode ser difícil.
– Temos de resolver as diferenças, encontrar a melhor lei possível, e colocá-la em vigor o mais rápido possível – disse Lawrence Summers, consultor econômico de Obama, ao canal Fox, lembrando que mais de 600 mil postos de trabalho foram fechados no mês passado.
– Se alguma vez houve um momento para transcender a política, é este – disse Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca.
A reunião de Obama com cidadãos de Elkhart (Indiana) e a entrevista coletiva na Casa Branca ocorrem num momento em que Obama tenta recuperar o impulso depois de enfrentar constrangimentos por causa de irregularidades fiscais de indicados seus a cargos de primeiro escalão, e também uma demora inesperada na aprovação do pacote no Congresso, de maioria democrata.
A visita a Indiana é uma oportunidade para Obama defender o pacote econômico como se estivesse em campanha, numa cidade industrial onde, segundo a Casa Branca, o desemprego no último ano saltou de 4,7 para 15,3%.
Já a entrevista coletiva em horário nobre permitirá que Obama fale diretamente com uma plateia nacional, depois de admitir na semana passada que cometeu erros nas indicações para o gabinete.
Contra as acusações republicanas de que o pacote dá ênfase demais nos gastos públicos, e não no corte de impostos, Obama adotou um tom mais duro contra a oposição, alertando-a de que "o tempo das conversas acabou", e argumentando que o mero corte de impostos é uma "fórmula perdedora" para estimular a economia.
Obama, que tomou posse em 20 de janeiro, lembra repetidamente aos republicanos que eles perderam a eleição de novembro e que os norte-americanos votaram por sua agenda de mudanças.
A aprovação do pacote permitiria que Obama deixasse para trás uma semana difícil, na qual dois indicados desistiram dos seus cargos e um terceiro enfrentou uma demora na confirmação do Senado, devido a irregularidades tributárias do passado.
Obama faz ato público e concede coletiva para promover pacote
Segunda, 09 de Fevereiro de 2009 às 09:11, por: CdB