O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira estar otimista com a possibilidade de uma retomada ainda neste ano do processo de paz do Oriente Médio, mas deixou claro que o caminho será difícil. Um dia depois de proferir no Cairo um discurso em que propôs um "recomeço" das relações entre os EUA e o mundo islâmico, Obama reafirmou seu compromisso com o processo de paz, e disse que a falta de uma ação imediata pode levar a uma radicalização de palestinos e israelenses.
– Estou confiante de que, se nos apegarmos a isso, tendo começado cedo, podemos fazer algum progresso sério neste ano. Agora o momento é de agirmos a respeito do que todos sabemos ser a verdade, que é a de que cada lado terá de fazer concessões difíceis – disse Obama numa entrevista coletiva em Dresden ao lado da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.
A Alemanha é a terceira parada de Obama em uma viagem a quatro países. Nesta semana ele já esteve na Arábia Saudita e no Egito. Ainda nesta sexta-feira, ele visitará o antigo campo de concentração nazista de Buchenwald, ao lado de Merkel, numa homenagem às vítimas da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. Antes de voltar aos EUA, participará de cerimônias na França alusivas ao aniversário do desembarque aliado na Normandia.
Em sua reunião matinal, Obama e Merkel discutiram a questão nuclear do Irã, a crise financeira global, a mudança climática e o destino dos prisioneiros mantidos pelos EUA na base naval de Guantánamo, encravada em Cuba.
Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, Obama demonstra dar prioridade à questão israelo-palestina dentro da sua política externa. Ele já nomeou o experiente ex-senador George Mitchell como seu enviado à região, recebeu na Casa Branca o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e discutiu o assunto na Arábia Saudita com o rei Abdullah.
– Acredito que, com o novo governo dos EUA, com o presidente Obama, há uma oportunidade única de ver que o processo de negociação seja retomado – disse Merkel.
Holocausto
Obama também disse nesta sexta-feira que seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que nesta semana voltou a chamar o Holocausto de "grande enganação", deveria visitar o antigo campo de concentração nazista de Buchenwald. Em entrevista à NBC News, logo depois de homenagear vítimas da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto em Buchenwald, Obama foi questionado sobre o que o líder iraniano teria a aprender numa visita ao local.
– Ele deveria fazer sua própria visita. Não tenho paciência com pessoas que negam a história. E a história do Holocausto não é algo especulativo – disse Obama.
Ahmadinejad fez nesta semana mais um discurso questionando o Holocausto e atacando Israel, cuja existência o Irã não reconhece. Obama lembrou que um tio-avô seu ajudou a liberar o campo de Buchenwald durante a Segunda Guerra. Estima-se que 56 mil pessoas, a maioria judeus, tenham morrido no campo.