Por José Inácio Werneck - De repente o tímido Barack Obama, apesar de se encontrar em minoria no Senado e na Câmara de Deputados, parece ter encontrado a coragem de suas convicções em seus dois útimos anos de mandato. Já não era sem tempo. Neste último mês de novembro, Barack Obama sofreu uma derrota nas eleições para a Câmara dos Deputados e parte do Senado.
Obama decidiu enfrentar os republicanos ao reatar relações diplomáticas com Cuba
De repente o tímido Barack Obama, apesar de se encontrar em minoria no Senado e na Câmara de Deputados, parece ter encontrado a coragem de suas convicções em seus dois útimos anos de mandato.
Já não era sem tempo. Neste último mês de novembro, Barack Obama sofreu uma derrota nas eleições para a Câmara dos Deputados e parte do Senado.
São as chamadas eleições “mid-term”, que ocorrem em meio a um mandato presidencial e se constituem em uma singularidade americana.
Muitos são contra a ideia da renovação da Câmara de Deputados a cada dois anos, notando, com razão, que isto leva os representantes do povo a viverem em permanente campanha eleitoral.
Outro ponto muito discutido é que historicamente apenas uma pequena parte do eleitorado se interessa pelas eleições “mid-term”. Há um elevado nível de abstenção (é importante lembrar que nos Estados Unidos o voto não é obrigatório).
Os eleitores que mais se interessam pelas eleições parlamentares - e para alguns governos estaduais - “mid-term” são justamente os mais velhos (estão aposentados e as eleições nos Estados Unidos são sempre em dia útil) e mais conservadores, em sua imensa maioria brancos.
Não é de admirar portanto que Obama tenha amargado uma derrota em novembro e agora se encontre, no Congresso, à mercê do Partido Republicano, doido para inflingir aos democratas uma derrota na eleição presidencial de 2016.
Mas de súbito Obama, talvez cansado de ser acusado de timidez e covardia - e talvez por achar que não tem mais nada a perder - recuperou a iniciativa política, voltando aos pontos principais de sua campanha.
Foi assim em três áreas, todas em flagrante confronto com os republicanos.
A primeira foi a reforma da imigração.
A segunda, a adoção de medidas de proteção ao meio-ambiente, sobretudo na esfera de combate aos combustíveis fósseis.
A terceira ocorre agora, com o anúncio do restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, numa negociação intermediada pelo papa Francisco.
Nas três, Obama usou de seus poderes executivos e em todas elas será em parte cerceado pela maioria republicana no Congresso.
Na questão cubana, o embargo econômico que existe contra o governo caribenho é sacramentado em lei e portanto só o Congresso poderá revogá-lo. Mesmo assim, há medidas que Obama pôde tomar, como a elevação do teto para remessas de dinheiro ao país.
A grande pergunta agora é esta: como tais medidas, especialmente o restabelecimento de relações com Cuba, influenciarão o resultado da eleição presidencial em menos de dois anos?
Creio que favoravelmente. Na questão cubana, por exemplo, vai se tornando notório que os cubanos-americanos mais jovens são favoráveis ao restabelecimento de relações diplomáticas.
Este ponto poderá decidir a eleição na Flórida em 2016 em favor dos democratas. E a Flórida é, cada vez mais, desde a eleição que os juízes republicanos da Suprema Corte roubaram em 2000 para George W. Bush, o estado que age como fiel da balança, nacionalmente, em sucessões presidenciais.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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