Obama elogia ascenção do Brasil no cenário mundial em discurso no Rio
O presidente norte-americano, Barack Obama, elogiou neste domingo a ascensão do Brasil como uma potência mundial democrática durante discurso para convidados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
O presidente norte-americano, Barack Obama, elogiou neste domingo a ascensão do Brasil como uma potência mundial democrática durante discurso para convidados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Na fala transmitida ao vivo pela TV, ele disse que o Brasil emergiu de décadas de pobre desempenho econômico para se tornar uma economia poderosa e uma democracia próspera que tem muitos valores partilhados com os Estados Unidos. O velho discurso de que o Brasil sempre seria um "país do futuro" por causa de seu potencial não desenvolvido já não pode ser usado, ele disse.
– Para o povo do Brasil, o futuro chegou – afirmou Obama, recebendo um caloroso aplauso dos cerca de 2 mil convidados que acompanhavam no Theatro Municipal o seu discurso, inicialmente programado para ser num palco na praça da Cinelândia.
Mas na sexta-feira, os organizadores da visita decidiram pela mudança do local do discurso citando preocupações com a realização de um evento ao ar livre. Obama, que busca melhorar as relações com o Brasil após um período marcado por tensões, concentrou-se fortemente na cultura e história compartilhada pelos dois países, incluindo a sua luta contra as potências coloniais e do seu povo multicultural.
– Nos tornamos colônias de coroas distantes, mas logo declaramos nossa independência. Recebemos ondas de imigrantes em nossas terras e eventualmente limpamos a mancha da escravidão – afirmou.
Sobre o momento dos dois países no cenário internacional, Obama disse que Brasil e EUA "nem sempre concordaram sobre todas as coisas" e que diferenças de opinião continuarão a existir no futuro. Mas disse que gostaria de ser um parceiro do país para vencer os desafios que estão à frente:
– Comprometidos com o progresso que podemos fazer juntos.
Citou a disponibilidade de companhias norte-americanas de colaborarem nos trabalhos de infraestrutura visando as Olimpíadas.
Reações
Entre os presentes, o sentimento geral foi de simpatia às palavras de Obama. Existiram algumas ressalvas. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, uma das convidadas para o evento no Theatro Municipal, considerou a fala do presidente "abrangente", mas sentiu falta de uma discussão ambiental.
– Imaginava que ele pudesse dar uma ênfase nas responsabilidades que temos com as gerações presentes e as futuras gerações – afirmou ela.
Marina acrescentou que "a questão das energias renováveis são importantes, mas se não forem aprofundadas as questões de agir, produzir e consumir ... acho que perde a potência da necessidade de transformação do modelo de desenvolvimento".
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) elogiou o discurso de Obama, mas esperava que o presidente dos Estados Unidos mencionasse o fim do embargo econômico a Cuba.
– Talvez faça isso no Chile, por haver uma proximidade maior entre as línguas dos dois países – disse.
Do lado de fora do Theatro Municipal, na praça da Cinelândia, pequenos grupos fizeram protestos pacíficos contra sua presença. Portando bandeiras vermelhas de partidos políticos como PCdoB, PSTU e do PT, os manifestantes vaiaram quando a comitiva do presidente chegou ao teatro. Obama, no entanto, usou um acesso lateral sem visão do público para entrar e sair do local, que teve seu entorno isolado por militares armados do Exército. Obama e sua família devem deixar o Rio na manhã desta segunda-feira, quando partem para o Chile e, dias depois, a El Salvador.
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