O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, propôs na segunda-feira reformas contra práticas que levaram os Estados Unidos à pior crise financeira desde a Grande Depressão, enquanto seu rival republicano, John McCain, promoveu suas próprias medidas e acusou o adversário de indecisão.
McCain retomou sua proposta, feita na semana passada, de criar uma comissão independente para supervisionar o pacote de ajuda a Wall Street, que pode alcançar 1 trilhão de dólares. Ele afirmou que o secretário do Tesouro, Henry Paulson, acumula poder demais nesta crise.
– Este arranjo me deixa profundamente desconfortável – disse McCain num evento da comunidade irlandesa em Scranton, na Pensilvânia.
– Quando se fala em 1 trilhão de dólares em dinheiro do contribuinte, não basta 'confiem em mim' – completou.
Na semana passada, o governo Bush pediu ao Congresso autorização para gastar até 700 bilhões de dólares na compra de títulos "podres", a fim de recuperar a confiança no sistema financeiro.
Os dois candidatos evitam se intrometer diretamente na negociação do pacote, mas a crise domina a campanha desde a semana passada. O resultado nas pesquisas, até agora, foi ligeiramente favorável ao democrata.
Em comício em Wisconsin, Obama disse que evitaria outra crise controlando a influência dos lobistas, fortalecendo as agências reguladoras e tornando o governo mais transparente.
– Não importa qual solução finalmente decidamos nesta semana, é absolutamente imperativo que comecemos a trabalhar imediatamente na reforma da política quebrada e do governo quebrado que permitiram que esta crise acontecesse – disse ele a 6.000 simpatizantes em Green Bay.
Segundo Obama, uma "ética da irresponsabilidade" tomou conta do governo, e McCain, que em sua longa carreira política sempre foi contra o excesso de regras, é parte desse problema.
– Quando se trata de campanha regulatória, o senador McCain lutou repetidamente contra as regras de tráfego do bom-senso que poderiam ter evitado esta crise – afirmou.
McCain sugeriu que uma comissão bipartidária estabeleça os critérios pelos quais uma empresa poderia receber ajuda do governo. Ele sugeriu como integrantes o bilionário investidor Warren Buffet que apóia Obama, o ex-pré-candidato republicano a presidente Mitt Romney e o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, sem partido.
O republicano disse que protegeria o mercado financeiro, mas sem deixar que mutuários percam suas casas, e alfinetou Obama por não apresentar sugestões na atual crise. Obama diz que só o fará depois que o Congresso chegar a uma solução.
– Em um momento de crise, quando é preciso liderança, o senador Obama simplesmente não cumpriu. E a verdade é que não temos tempo de esperar a contribuição do senador Obama para agir – disse.
As duas campanhas estrearam novos anúncios atacando-se mutuamente. McCain retratou Obama como sendo fruto da corrupta máquina política de Chicago, e os democratas disseram que o republicano quer desregulamentar o setor de saúde da mesma maneira que aconteceu com o setor financeiro.
Obama e McCain mantêm crise financeira no centro da campanha
Terça, 23 de Setembro de 2008 às 06:56, por: CdB