Obama e Bush testemunham emoção em eventos do 11/9Legenda:Obama e Bush participam de cerimônia em homenagem às vítimas dos ataques de 11 de Setembro (reuters_tickers)
Por Steve Holland
WASHINGTON (Reuters) - Barack Obama prosseguiu a guerra contra o terrorismo islâmico que havia sido iniciada por seu antecessor, George W. Bush, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, e no domingo ambos viram de perto as emoções que aquele fato ainda provoca.
O atual presidente dos EUA, democrata, e seu predecessor, republicano, não apareciam juntos desde janeiro de 2010. Na companhia das respectivas esposas, eles foram ao Marco Zero de Nova York, local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, e participaram de um minuto de silêncio junto ao espelho d'água que há agora no local.
Depois, foram vistos novamente juntos atrás de um vidro blindado, perto do local onde os nomes dos quase 3.000 mortos nos ataques eram lidos em voz alta.
Obama leu o Salmo 46 da Bíblia, e Bush leu uma carta escrita em 1864 pelo presidente Abraham Lincoln a uma viúva que havia perdido cinco filhos na Guerra Civil - o que Lincoln disse ter sido "um sacrifício diante do altar da liberdade".
Antes de discursar, Bush colocou o crachá de George Howard, funcionário da Autoridade Portuária de Nova York, morto no atentado. A mãe de Bush havia lhe dado o crachá quando ele visitou os escombros do WTC, três dias depois do ataque.
Durante a cerimônia, algumas pessoas agitavam fotos de entes queridos, mas em geral o clima entre o público era sóbrio.
Ao longo do dia, Obama também visitou os outros dois locais atingidos pelos aviões sequestrados pela Al Qaeda há dez anos.
Em Shanksville, na Pensilvânia -- onde caiu um avião que os sequestradores não conseguiram atirar contra um alvo específico --, o clima era mais animado. Obama e a primeira-dama, Michelle, foram recebidos com aplausos e gritos de "USA, USA" no gramado onde está sendo construído um memorial em homenagem às vítimas daquele voo United 93.
"Você é o meu herói", gritou alguém da plateia, enquanto o casal Obama apertava mãos e posava para fotos.
Obama chega ao décimo aniversário dos atentados com um trunfo: no seu governo, os EUA mataram Osama bin Laden, o líder da Al Qaeda. Mas esse fato - assim como as guerras no Afeganistão e Iraque - ficaram em segundo plano no dia de Obama.
A principal atividade neste 11 de setembro de 2011 foi lembrar dos mortos nos atentados e olhar para o futuro - tema que deve surgir à noite, no pronunciamento presidencial no Memorial Kennedy, em Washington.
No Pentágono, Obama depositou uma coroa de flores brancas na "linha do tempo" do memorial erguido em frente ao edifício. O marco onde as flores ficaram diz: "11 de Setembro de 2001, 9h37", indicando o instante exato em que o avião caiu ali.
Depois de deixar as flores, Obama parou e abaixou a cabeça num instante de silêncio, antes de, junto com Michelle, cumprimentar e tirar fotos com parentes de vítimas. A pequena multidão aplaudiu a chegada do casal presidencial, mas Obama se manteve sério durante toda a cerimônia, ao som de uma banda militar.
Reuters