Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Obama diz que empregos serão prioridade

Em seu primeiro discurso do Estado da União, o presidente Barack Obama disse que a criação de empregos será prioridade de seu governo em 2010. Em sessão conjunta no Congresso, Obama disse que, apesar de a economia americana estar se recuperando da crise mundial, “a devastação permanece”. (Leia mais)

Quinta, 28 de Janeiro de 2010 às 06:56, por: CdB

Em seu primeiro discurso do Estado da União, o presidente Barack Obama disse que a criação de empregos será prioridade de seu governo em 2010 e propôs “novas bases” para a economia americana.

Em sessão conjunta no Congresso, transmitida ao vivo pela TV, Obama disse que, apesar de a economia americana estar se recuperando da crise mundial, “a devastação permanece”.

– Empregos devem ser nossa prioridade número um em 2010 (...) E é por isso que estou propondo a criação de uma nova lei de empregos nesta noite – ,disse o presidente.

Obama propôs que US$ 30 bilhões já devolvidos por grande bancos que receberam ajuda do governo no auge da crise sejam destinados a ajudar pequenos bancos a dar crédito às pequenas empresas e negócios.

O presidente também propôs créditos a pequenas empresas que contratarem novos funcionários ou aumentarem salários, além de incentivos para companhias que investirem em novas fábricas e equipamentos.

As propostas são anunciadas em um momento em que a taxa de desemprego nos Estados Unidos chega a 10% e em que o presidente vem perdendo apoio popular.

Muitos americanos estão descontentes com o dinheiro gasto pelo governo para salvar grandes bancos.

Esperança e união

Obama reconheceu que muitos americanos estão “frustrados”. No entanto, disse que apesar dos desafios enfrentados pelos Estados Unidos, nunca esteve tão confiante no futuro do país.

– Nunca estive mais esperançoso sobre o futuro da América do que estou nesta noite (...) Apesar das dificuldades, nossa união é forte –, afirmou.

O presidente – que foi interrompido diversas vezes por aplausos tanto de democratas quanto de republicanos – pediu a união dos dois partidos.

– Sei que é um ano eleitoral. E depois da semana passada, ficou claro que a campanha chegou mais cedo que o normal –, disse Obama, referindo-se à derrota histórica sofrida por seu partido, que perdeu uma vaga no Senado em uma eleição especial em Massachusetts.

– Nós fomos colocados aqui para servir aos nossos cidadãos, não às nossas ambições. Então vamos mostrar ao povo americano que nós podemos fazer isso juntos –, disse.

Saúde

A vitória republicana em Massachusetts pode complicar o projeto de Obama de aprovar a reforma da saúde, prioridade em seu governo. No entanto, o presidente garantiu que não vai desistir do projeto.

– Quando eu terminar de falar nesta noite, mais americanos terão perdido seu seguro de saúde (...). Eu não vou dar as costas a esses americanos –, disse.

– Isso é o que eu peço ao Congresso: não dêem as costas à reforma. Não agora. Não quando estamos tão perto. Vamos encontrar uma maneira de nos unirmos e terminar este trabalho para o povo americano –, acrescentou.

Déficit

Obama aproveitou o discurso para detalhar propostas antecipadas ao longo dos últimos dias.

Ele lembrou que o déficit do orçamento já era alto quando assumiu o poder, e teve de aumentar ainda mais em razão das medidas adotadas diante da crise financeira mundial. Estimativas do Congressão são de que em 2010 o déficit chegue a US$ 1,35 trilhão.

– Nesta noite, estou propondo medidas específicas para devolver o US$ 1 trilhão que foi necessário (gastar) para resgatar a economia no ano passado. (...). A partir de 2011, estamos preparados para congelar gastos do governo por três anos”, afirmou o presidente.

A medida já havia sido antecipada nesta semana, e não inclui gastos com segurança nacional, saúde e seguro social.

O presidente também voltou a falar sobre outras medidas já anunciadas, como um plano de apoio à classe média e uma proposta para reduzir os riscos assumidos pelos bancos.

Confiança

Obama afirmou que é preciso reconhecer que no momento o país enfrenta “mais do que um déficit de dólares”.

– Nós enfrentamos um déficit de confiança. (...) (Para superar a falta de credibilidade) nós devemos acabar com a influência desmedida de lobistas, fazer nosso trabalho abertamente e dar ao nosso povo o governo que ele merece –, disse.

O presidente criticou uma decisão tomada pela Suprema Corte na semana passada, que remove os limites para financiamento de campanhas, e disse que irá apelar a democratas e republicanos para que aprovem uma lei que ajude a “corrigir esse erro”.

Comércio e clima

Obama disse que pretende dobrar as exportações americanas nos próximos cinco anos.

– Um aumento que vai dar sustentação a 2 milhões de empregos(...) Vamos buscar mercados agressivamente, assim como nossos competidores fazem –, afirmou.

O presidente também disse que vai continuar a lutar por um acordo na Rodada Doha de liberalização do comércio mundial e que vai reforçar laços de comércio com parceiros.

Obama afirmou ainda que é necessário aprovar um amplo projeto de energia e clima, “com incentivos que façam da energia limpa um tipo de energia rentável nos Estados Unidos”

– A nação que liderar a economia de energia limpa será a nação que vai liderar a economia global.(...). E os Estados Unidos devem ser esta nação –, acrescentou.

Afeganistão e Iraque

Em seu discurso, o presidente falou ainda sobre as medidas tomadas desde a tentativa frustrada de derrubar um avião que ia da Holanda para os Estados Unidos no Natal e da luta contra a rede extremista Al-Qaeda.

Reafirmou que as tropas de combate americanas vão deixar o Iraque no final de agosto e que mais soldados estão sendo enviados ao Afeganistão para treinar as forças de segurança afegãs, para que essas possam começar a assumir o controle da segurança em seu país em julho de 2011.

O presidente também falou do isolamento de nações que “insistem em violar acordos internacionais” em busca de armas nucleares, como o Irã e a Coreia do Norte.

O recém-empossado governador da Virginia, Bob McDonnell, deu a resposta do Partido Republicano ao discurso do presidente.

McDonnell disse que os governos não devem aumentar impostos, regulações e outras medidas que "matam empregos e ferem a classe média".

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