O presidente dos EUA, Barack Obama, irá nesta quarta-feira ao Congresso para um discurso em que promoverá a reforma da saúde pública, sua maior prioridade na política interna.
Assessores dizem que o pronunciamento, a ser transmitido pela TV, irá apresentar detalhes sobre a reforma, que pelo plano dele custaria US$ 2,5 trilhões. Eles afirmaram, porém, que Obama não oferecerá um projeto de lei próprio nesse sentido.
– O presidente irá delinear seu plano daqui para frente –, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, referindo-se tanto ao projeto da saúde quanto à forma com a qual Obama pretende negociar sua aprovação no Congresso.
– Não acho que vocês irão sair confusos sobre onde ele se encontra –, acrescentou.
O presidente americano disse ao canal ABC News que usaria o discurso para "assegurar que democratas e republicanos entendam que estou aberto a novas ideias, que não estamos sendo rígidos e ideológicos a respeito disso, mas pretendemos que algo seja feito neste ano."
O principal objetivo é oferecer assistência médica aos 46 milhões de norte-americanos que não podem arcar com os planos de saúde privados, e garantir mais segurança aos que podem.
– O plano irá trazer reformas que reduzirão o crescimento insustentável no custo da saúde, que dobrou na última década e dobrará de novo a não ser que atuemos –, disse uma fonte oficial, que pediu anonimato.
A reforma da saúde era uma promessa de campanha do presidente americano , mas a bancada democrata, que domina o Congresso, não consegue chegar a um acordo sobre o projeto, enquanto a oposição republicana se opõe a ele.
Dúvidas sobre a abrangência e custo do projeto derrubaram a popularidade de Barack Obama nos últimos meses, refletindo o debate às vezes agressivo entre os políticos.
– Estamos em um ponto do debate legislativo em que ele precisa colocar algumas coisas sobre a mesa e tirar algumas coisas –, disse Darrell West, diretor de estudos da governança no Instituto Brookings, de Washington.
O pronunciamento, numa sessão conjunta do Congresso, irá começar às 20h (21h em Brasília), com duração de cerca de 30 minutos, segundo Gibbs. Pesquisas indicam que muitos norte-americanos pretendem assistir.
O alvo do discurso parece ser tanto a bancada democrata quanto a opinião pública. Se Obama conseguir unificá-los e estimulá-los, conseguirá aprovar a reforma, segundo analistas.
– O jogo agora se resume a: 'poderá o governo manter os democratas na linha para uma lei que realmente represente algo?`, –'" disse James Morone, professor da Universidade Brown e autor de "The Heart of Power: Health and Politics in the Oval Office" (O coração do poder: saúde e política no Salão Oval).
– Ele terá os votos se (os parlamentares democratas) tiverem coração e coragem de se manterem unidos –, finalizou o professor.